6.5.26

Pontuação e marcos indicam descoberta no Rio Grande do Norte

A Carta de Pero Vaz de Caminha, datada de 1º de maio de 1500, além de ser considerada nossa “certidão de nascimento”, é classificada como um trabalho literário escrito dentro de uma tradição romântica, expressando um realismo moderado associado ao pensamento de um Portugal e de uma Europa que estavam saindo dos contrastes da Idade Média. Não deixa de conter elementos fantasiosos, mitos e retórica, mas elaborada com bastante cuidado, onde se sente a excitação e admiração pela chegada a uma nova terra, perpetuando-se até os nossos dias como uma fonte primária.

É preciso, portanto, analisar os pensamentos, os fatos e acontecimentos que estavam ocorrendo quando da sua produção, levando em conta o contexto histórico, limitado pela cultura letrada até o fim do século XV e o fato de que o seu destinatário, D. Manuel, fosse um monarca absolutista submetido à fé cristã, sob uma igreja também absolutista.

Pela sua forma de diário e pelo que expõe, a carta insere-se no gênero bem português da época, como se verificava com os diários de navegação, os mapas, relatórios e as cartas que documentavam e informavam sobre lugares distantes.

Caminha selecionou aquilo que considerou relevante ao dizer que “… aja aquy de poer mais caaquilo que vy e me pareceo”, de modo que ao longo do texto percebemos evasivas e lacunas. A humildade e obediência se faz presente antes do início da narração evocando para si o caráter verossímil, mas sugere a incerteza.

 

Além dos pronomes de tratamento: senhor, vossa alteza, também incorpora termos quanto a posse do Rei: vossa terra, vossa terra noua. Monte Pascoal e Terra da Vera Cruz, carregam em si a religiosidade portuguesa, dando legitimidade à paternidade da nova terra.

Na Carta, ele paulatinamente narra os fatos, descrevendo em detalhes como uma pintura ou uma foto, recriando com palavras as coisas vistas por si, fazendo-o por meio de seu conhecimento de mundo, de suas vivências e experiências pessoais e do léxico da época. Somente publicada em 1817, no Rio de Janeiro, veio se tornar nossa “certidão de nascimento”, romântica, logo de início foi entendida como documento que legitimava nossa origem, já que é o registro escrito no próprio teatro dos acontecimentos, com detalhes até hoje ainda não explicitados.

A precisão matemática com que narra a chegada à costa brasileira é uma escolha retórica que configura veracidade aos dados narrados em toda a carta, chegando ao requinte de anotar as profundidades, distâncias das naus do litoral, ventos e direções.

Descreve, gradativamente, a incomunicabilidade inicial com os habitantes até alcançar um estado de comunicação física, emocional e espiritual. Confirma a fertilidade e a grandiosidade da terra, mas afirma desconhecer a existência de ouro, prata ou outro metal, que era um dos principais objetivos dos reis portugueses para gerir o sistema mercantil, movimentando a maquinaria catequista e a conversão de novos povos ao cristianismo.

Encontramos no texto, a descrição física dos homens e das mulheres e as marcantes distinções com a cultura europeia. A primeira característica visível na descrição é a coloração da pele, observando que não portavam roupas e não tinham vergonha de se expor, não podendo deixar de notar que destaca uma inferioridade deles e a necessidade inequívoca de colonização. A seleção dos assuntos, a disposição das colocações, a escolha do vocabulário, a elaboração dos períodos, obedecem ao mesmo rigor. A carta em todo seu conteúdo não deixa de ser um conjunto exato e belo, lembrando que na Armada seguiam os melhores pilotos e capitães.

Traduções que distorcem

No entanto, as traduções do português arcaico para o português contemporâneo, muito do que aquele português letrado do século XV transmitiu ao el-rei D. Manuel, foi distorcido, na própria tradução e com a colocação de vírgulas, pontos, parágrafos, maiúsculas, junções de palavras etc., lembrando que a primeira gramática da língua portuguesa surgiu em 1536.

No texto muitos fatos foram omitidos e outros desconsiderados pela historiografia oficial alterando, principalmente, o lugar onde a armada comandada por Pedro Álvares Cabral chegou.

Recorrendo a historiadores de cronistas dos anos Quinhentos, como Duarte Pacheco Pereira, Damião de Góis, João de Barros e Fernão Lopes de Castanheda, entre outros, chegamos à conclusão de que o Brasil foi descoberto no Rio Grande do Norte e não na Bahia. O que foi omitido por Caminha, não foram considerados embora relatados por cronistas e historiadores do século XVI, que tiveram acesso aos documentos que posteriormente foram perdidos, destruídos, incendiados ou roubados.

Pontuação reveladora

Alguns trechos da carta:

 

Folha 2 = “fomos de lomgo e mandou ocapitam aos nauios pequenos que fossem mais chegados aatrra e que, se achassen pouso seguro peraasnaaos que amynassem.” (Fomos de longo, e mandou o capitão aos navios pequenos que fossem mais chegados à terra e que, se achassem pouso seguro para as naus, que amainassem) – exemplo de junção e de colocação de vírgula inexistente no original.

Folha 12  = “chentada acruz cõ as armas e deuiva de vossa alteza que lhe prim° pregarom armarom altar ao pee dela.”. (chantada a cruz com as armas e divisa de Vossa Alteza, que lhe primeiro pregaram, armaram altar ao pé dela.) – nota-se a ausência de vírgulas no original e significado da palavra “pregarom”. Na tradução, esse trecho foi separado com a colocação de uma vírgula após o termo “pregarom” além de o utilizarem com o significado de “fixação” , quando pode ser relativo ao próprio “fixar, afixar, chantar etc.” , dependendo do contexto de forma a dar diversas situações.

Na frase original, sem vírgulas, (A cruz) que chantaram em homenagem a ele (o rei).” ou “(A cruz) que chantaram para ele (o rei).”, ou seja, “que lhe pregarom”, “que chantaram a ele” (referindo-se, quase sempre, ao rei ou a alguma autoridade, como Deus, dependendo do texto).

Quanto à interpretação gramatical:

que → pronome relativo, retomando algo anteriormente mencionado (no exemplo, à cruz).

lhe → pronome oblíquo dativo = “a ele” (geralmente se refere ao rei ou a Deus, dependendo do contexto).

Resumindo, na forma arcaica: "que lhe pregarom...", corresponde na tradução moderna: "que pregaram para ele / que pregaram em sua homenagem / que chantaram (ou afixaram) para ele / que chantaram (ou afixaram) em sua homenagem...".

Assim sendo, a tradução correta é: “chantada a cruz com as armas e divisa de Vossa Alteza que afixaram em sua homenagem armaram um altar ao pé dela. Alguns dirão que essa colocação é ambígua e dirão que se referia à cruz de madeira, mas na realidade o escrivão se referia ao padrão de posse em pedra também conhecido e denominado marco de posse, que também era chamado de cruz, porque tinha gravada uma na sua face anterior superior.

Segundo Damião de Góis, guarda-mor da Torre do Tombo por mais de 20 anos, na sua “Crônica do Felicíssimo D. Manuel”, afirma: “antes que Pedralvarez partisse desse lugar, mandou poerem terra hũa Cruz de pedra quomo por padrão, com que tomaua posse de haquella prouincia, pera Coroa dos Regnos de Portugal, a qualpos nome de Sancta Cruz,”.

João de Barros em "Décadas da Ásia" e  Castanheda em "História do descobrimento e conquista da Índia pelos portugueses" afirmam que foi feita uma cruz de madeira, mas que foi fixada em uma árvore bem alta para ser vista de longe.

Damião de Góis, em seus textos, refere-se à colocação de “cruzes com as armas reais” em terras conquistadas, como símbolo de soberania. João de Barros descreve padrões como “cruzes com as armas de Portugal”, associando-os à fé cristã e à autoridade régia. Fernão Lopes de Castanheda narra a colocação de “cruzes de pedra” com as armas de D. Manuel.

Logo, para três dos principais autores do século XVI, a cruz não é apenas um objeto religioso - ela é o símbolo da presença portuguesa, da fé cristã e da autoridade do rei. A fusão entre cruz e padrão mostra como o Império Português se via como missionário e conquistador, legitimando sua expansão com base na fé e na lei régia. Assim, a cruz representava não só a fé cristã, mas também a presença política e jurídica de Portugal. A prática era comum nas descobertas marítimas, como no Brasil, África e Ásia. A cruz é tanto um símbolo cristão quanto um emblema do poder régio, fundindo religião e política.

Marco ignorado

 Depois da aguada na Praia do Marco, relatos históricos indicam que a frota de Cabral percorreu um trecho significativo da costa, provavelmente mais de 2000 milhas, embora a informação sobre a distância exata navegada não seja consensual, mas Capistrano de Abreu, o seu livro “O Descobrimento do Brasil”, reproduz trecho da carta de Pisani para La Faitada, de 1501: “Julguem esta terra firme, porque corre pela costa 2000 milhas e (sic) mais, jamais encontram seu fim”.

O planisfério de Cantino, baseado no padrão real, atualizado logo depois do retorno da armada a Lisboa em julho de 1501, procedimento adotado após o retorno das expedições exploratória , foi adquirido por Hércules de Ferrara. O planisfério mostra uma longa costa com mais de 2000 milhas. Depois dessa longa navegação na costa de Sancta Cruz,, citada por muitos, Cabral "seguiu de longo contra o Leste rumo ao Cabo da Boa Esperança".

 

A cruz de madeira foi consumida pelo tempo, mas as cruzes de pedra permaneceram e estão preservadas. No Brasil, só existem dois marcos de posse: o Marco de Touros, o primeiro deles, chantado na Praia do Marco (RN) e o Marco de Cananéia (SP) chantado em Cananéia. A praia do Marco dista aproximadamente 2.000 milhas de Cananéia.

Na Praia do Marco, aonde Cabral chegou e fez a primeira aguada chantando o padrão de posse, foi Descoberto o Brasil! E navegando obra de 2000 milhas ao longo do Canal de D. João II, garantiu o direito e exclusividade quanto ao Atlântico Sul e o monopólio do comércio com o Oriente por muitos anos.

 

fontes: autores e personagens citados e o livro  

“BRASIL  1500,  A  VERDADE   No Rio Grande do Norte foi Descoberto o Brasil”


28.12.19

A PRIMEIRA POSTAGEM 31/08/2008

Em 31/08/2008 lancei NATALDEONTEM e essa foi a primeira postagem. O resto é história....
COISAS QUE NÃO PODEMOS ESQUECER:
110. Da Pista de Patinação do Aero Club.
109. Do movimento da galeria do "Barão do Rio Branco".
108. Das compras na "Love Boutique".
107. Do 7 de Setembro, hoje UNP, na Rua Seridó.
106. Dos shows no Palácio dos Esportes.
105. Dos cursos de datilografia na lateral do Instituto Brasil ou no Senac.
104. Do Instituto Brasil na rua José Pinto.
103. Dos lanches nas Lojas 4400 onde ia andar de escada rolante logo que inaugurou.
102. Das madrugadas no "Passaport".
101. Do Caldo de Cana Orós na Rio Branco, perto de Nazí.
100. Das festas de São João do Neves, Marista, ED e Salesiano, e ainda das ruas Ângelo Varela e Jaguarari.
099. Dos Jogos Estudantis para onde ia torcer fervorosamente por seu colégio?
098. Dos Paqueras circulando no Palácio dos Esportes.
097. Dos picolés Big Milk. Especialmente o creme holandês.
096. Da "Festa do Caju" da Redinha.
095. Do caldo de mocotó e da 'paquera' no Pé do Gavião.
094. De que fazia parte de alguma turma de rua.
093. De que se freqüentava todos os "arrastas" e festinhas "americanas".
092. De que ia para o centro da cidade nas noites de dezembro.
091. De que dançava de rostinho colado.
090. De que as muitas meninas "botavam macaco" quando dançava.
089. De que frequentou o ABC, Hippie Drive-in e Piri-Piri.
088. De que frequentou o Bar Postinho.
087. De que frequentou a Sorveteria Belém.
086. De que frequentou a Casa da Música.
085. De que lanchou no Barramares.
084. Das matinês de domingo no Aero Club, com o Impacto 5.
083. De que frequentou o Caravelas Bar (Bar do Flauberto).
082. Das discotecas do América e da AABB, nos "Embalos de Sábado à noite".
081. Dos carnavais no América, AABB, Aero Club ou Palácio dos Esportes.
080. De que fazia parte de algum bloco carnavalesco.
079. Do corso na Av. Deodoro em dias de carnaval, nos Jipes sem capota.
078. De que ter um lança perfume no Carnaval era uma glória.
077. De que chorou assistindo "Marcelino Pão e Vinho" e "La Violetera".
076. Dos pileques na Palhoça, depois Casa da Maçã.
075. Dos seriados no Rex, São Luiz ou São Pedro.
074. Do trabalho que dava para assistir filmes "pornôs.
073. Do Vesperal dos Brotinhos na Radio Poti.
072. De C... de Ouro, Rosa Negra e Velocidade, patrimônios de Natal.
071. De que era "piolho" do "Quem-me-quer" na Praia dos Artistas.
070. Das "umas e outras" no "Sinus bar" observando os surfistas.
069. Da "La Prision " nas matinês do domingo (comeu pipoca com coca-cola?)
068. Do Centro Cearense.
067. Das festas na Rampa.
066. Do "Bier House".
065. Da Confeitaria Mirim na João Pessoa, cujo proprietário era João.
064. Dos pegas no Stop e depois no Tobs.
063. Do delicioso caldinho de feijão na "Tenda do Cigano".
062. Da "Royal Salut" no Reis Magos.
061. Da "Transamazônica", na Praia do Forte? (sexo ecológico e com Maruin picando a bunda)
060. Da "Apple", depois "Augustus" e do "Club Set".
059. Do Striptease , na boate do Ducal.
058. Dos ensaios para o carnaval dos ''Deliciosos na Folia'' onde hoje é a Telemar.
057. Das lutas de Takeo Uono, Waldemar e Bernadão no ringue onde hoje é o IPE.
056. Da ajuda do enfermeiro Cicero Calú na Rua Princesa Isabel para "curar" as doenças venéreas.
055. Das 'pinicas' na Lagoa Manoel Felipe ou Praça Pedro Velho.
054. Do "Boliche", na Praia dos Artistas.
053. Das horas que passava no Ktikero bebendo a cerveja mais gelada da cidade e ouvindo as mentiras de "Bigode".
052. Do "Iara Bar".
051. Dos banhos nos tanques na Praça Pedro Velho.
050. Da galera da "Bodega da Praça".
049. Do Restaurante do Hotel Samburá.
048. Do Xique-xique... lá no posto São Luis da Av. Salgado Filho.
047. Do SCBEU com seus cursos de Inglês...
046. Da saída das meninas na Escola Doméstica, Auxiliadora ou Colégio da Conceição.
045. Das corridas de kart nas tardes de domingo, no pátio da Ceasa ou na Rampa...
044. Da freqüencia que tinha a boate da Rampa...
043. Do sorvete de Seu Louro na porta do colégio...
042. Do Cachorro Quente de Salada que ficava na calçada da padaria em frente ao Colégio Marista.
041. Da Praia do Forte nas férias e fins de semana...
040. Da "Banana split" com a turma no Gimi Lanche na Rua João Pessoa.
039. De dançar o Vira, cheio de mé!
038. Das missas no Auxiliadora, Santa Terezinha e Catedral para na verdade 'paquerar'.
037. Da inesquecível cartola da lanchonete da Casa Costa em frente ao Rex.
036. Das vitaminas de frutas do Bom Lanche.
035. De Maria Mula Manca e da Embaixatriz Severina.
034.Das sessões de Cine de Arte no Cinema Rio Grande nas manhãs de domingo...
033. Dos blocos de alegoria pelas ruas da cidade - Plebe, Saca-Rolha, Ressaka, Baculejo, Arrocho, Jardineiros, Puxa-Saco, Jardim de Infância, ....
032. Das fotos que tirou com "Deodato", nos jogos do Palácio dos Esporte, Ginásio do Atheneu, Escola Técnica ou Salesiano...
031. Das fotografias 3/4 e posters com Rodrigues.
030. Das ''fotos para a posteridade'' com Jaeci Emerenciano Galvão.
029. Das torcidas pelo Atheneu, Marista, 7 de Setembro, Escola Industrial, ou por outro colégio nos Jogos Estudantis.
028. Das 'horas' que ficava na saída do colégio, de preferência na calçada, esperando a paquera?
027. Do aprendizado e descoberta do prazer do sexo com as meninas da Boite Arpege, Ideal, etc.
026. Do pavor que tinha de passar perto do Beco da Quarentena com medo de pegar gonorréia.
025. De tomar banho no Rio Potengi perto do Sport ou do Náutico.
024. De que tinha um sonho: um dia ter cacife para ir à Boite de Maria Boa?
023. De que frequentou a "casa de recursos" dos coqueiros na Ribeira com as Rocas.
022. De que visitava o cabaré de Otavio ou o de Inês.
021. De que nega até hoje que um dia foi ao apartamento de Epifânio no 1º andar da Casa Rio.
020. De que nega que foi pelo menos uma vez tomar 'Caldo de Anjo' no Arapuca de Jesiel, pertinho da Praça Gentil Ferreira.
019. De que começava a beber com uma de Conhaque Castelo com Coca-ColaCola para ficar logo no 'grau' e economizar.
018. Do medo que tinha das turmas da Camboim e da Tabica.
017. Das calças que mandava fazer calças e camisas de Martins na rua Felipe Camarão.
016. Da palhoça - vizinho ao Rio Grande.
015. Do Vipinho na Rua. Princesa Isabel
014. Da Toca do Chicão
013. Do caranguejo do É Nosso, além de Bar de Cãindão e do Círculo Militar em Areia Preta.
012. Do Tirraguso e Trapiche na Praia do Meio
011. Do Bar da Apurn - na Ponta do Morcego
010. Do Bar Oasis
009. Da Galinha da Mãe
008. Da Carne de Sol do Lira e do Marinho.
007. Do Bar Minhoto - em frente ao Nordeste
006. Do Bar Dia e Noite - com o velho e simpático garçon Gasolina
005. Dos sorvetes da Confeitaria Ateneu com Severino.
004. Do professor Saturnino e do Curso Pitágoras do prof. Evaldo.
003. De Pedrinho Mendes e Sueldo no "Boteco", cantando no "Boca da Noite", e no "Antigamente".
002. Do Libertè e Boate 775.

001. Da "Ki Show" na Rua João Pessoa.

18.3.19

FORTE DA REDINHA E FORTE DE PONTA NEGRA



FORTE DA REDINHA e o FORTE DE PONTA NEGRA

O Forte da Redinha localizava-se na margem esquerda da foz do rio Potenji, atual praia da Redinha, no município de Natal, estado brasileiro do Rio Grande do Norte.

No contexto da Guerra Peninsular na Europa, pelo Aviso de 7 de Outubro de 1807 a Coroa Portuguesa solicitou ao Governador da Capitania do Rio Grande, Tenente-coronel José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, informações do que convinha fazer para a defesa daquela Capitania. A resposta, em um detalhado Memorial ("Memória relativa à defesa da Capitania do Rio Grande (…), pelo seu Governador Francisco José de Paula Cavalcanti de Albuquerque", datada de 30 de Maio de 1808), converteu-se em diversas fortificações ligeiras, erguidas no ano seguinte (1808), concomitantes com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil.

Nesse memorial, quanto ao Forte da Redinha, encontra-se: "Segundo, fazer-se outra fortaleza na margem do rio [Potenji], no lugar denominado Redinha, que cruzando com a da barra Fortaleza da Barra do Rio Grande ou dos Reis Magos, na margem direita, defenda a entrada dela; e pela mesma razão acima [falta de recursos financeiros] mandou o mesmo governador construir outro igual forte [ao da Forte da Ponta Negra] da mesma maneira [de faxina revestido de pedras, para nele laborarem 4 peças de grosso calibre]."

O Forte da Ponta Negra localizava-se na enseada da Ponta Negra, cerca de treze quilômetros ao sul de Natal, no litoral do estado do Rio Grande do Norte, no Brasil.

No mesmo memorial, acima citado: "Primeiro, fortificar-se a enseada da Ponta Negra, fazendo-se lhe uma forte, ou ao menos uma bateria com peças de grosso calibre, que varra toda a dita enseada, principalmente a 1/2 légua, que oferece bom desembarque ao inimigo; e porque as circunstâncias ainda não permitem poder-se fazer maiores despesas, mandou o dito governador construir um forte de faxina revestido de pedras, para nele laborarem 4 peças, deixando para o diante o demais.", este forte estava desarmado de há muito, e certamente encontrava-se arruinado. Nesse local haviam desembarcado os neerlandeses quando do assalto a Natal em Dezembro de 1633, estando indicada nas cartas neerlandesas como "Ponto Negro".

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Fortaleza dos Reis Magos I




A Fortaleza dos Reis Magos é uma edificação militar histórica localizada na cidade de Natal, Rio Grande do Norte.
O forte foi o marco inicial da cidade (fundada em 25 de dezembro de 1599), no lado direito da barra do rio Potenji (hoje próximo à Ponte Newton Navarro). Recebeu esse nome em função da data de início da sua construção, 6 de janeiro de 1598, dia de Reis pelo calendário católico.
No contexto da Dinastia Filipina, quando da conquista do litoral Nordeste do Brasil, então ameaçada por corsários franceses que ali traficavam o pau-brasil ("Caesalpinia echinata"), a barra do rio Grande foi alcançada por tropas portuguesas, sob o comando do Capitão-mor da Capitania de Pernambuco, Manuel de Mascarenhas Homem, com ordens para iniciar uma fortificação. Para a defesa do acampamento, junto à praia, foi iniciada uma paliçada de estacada e taipa, com planta no formato circular, à moda indígena, a 6 de janeiro de 1598 (dia dos Santos Reis), enquanto se procedia à escolha do local definitivo para a fortificação ordenada pela Coroa: um recife, à entrada da barra, ilhado na maré alta e que, na vazante, permitia a comunicação com terra firme.
A planta do novo forte, traçada no Reino em 1597, atribuída ao padre jesuíta Gaspar de Samperes (ou Gonçalves de Samperes), "mestre nas traças de engenharia na Espanha e Flandres" e discípulo do arquiteto militar italiano Giovanni Battista Antonelli, apresentava a forma clássica do forte marítimo seiscentista: um polígono estrelado, com o ângulo reentrante voltado para o Norte, construído em "taypa, estacada e areia solta entulhada". As suas obras ficaram a cargo de seu primeiro comandante, Jerônimo de Albuquerque Maranhão (1548-1618).
O seu segundo comandante foi João Rodrigues Colaço, e a fortificação estava em condições de defesa já no início de 1602, artilhada e guarnecida por um destacamento de duzentos homens. Encontra-se representada por João Teixeira Albernaz, o velho, na obra atribuída a Diogo de Campos Moreno, no canto superior esquerdo do mapa do Rio Grande, como "Planta do Forte que defende a barra do Rio Grande" (petipé em braças craveiras), artilhado com 10 peças em suas carretas, atirando à barbeta. Esta iconografia já reflete as obras de reconstrução executadas a partir de 1614, com planta do Engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil, Francisco de Frias da Mesquita (1603-1634), quando adquiriu a atual conformação. Na ocasião, as suas muralhas foram melhoradas, recebendo contrapiso e contrafortes de reforço pelo lado do mar, bem como obras internas de habitação, em edifícios de dois pavimentos, que ficaram concluídas em 1628.

http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.com

28.2.19

1500 - De Portugal ao Saliente Potiguar



Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil ou veio apenas oficializar o que já havia sido feito por outros exploradores? Onde os portugueses chegaram, na Bahia ou no Rio Grande do Norte?
Nomes como Alberto Cantino, Duarte Pacheco Pereira, João de Barros, Fernão Lopez de Castanheda, Damião de Góis, Cassimiro de Abreu, entre outros, passarão a fazer parte deste novo roteiro elaborado a partir da tese lançada por Lenine Pinto. É de grande relevância a contextualização do nosso descobrimento.
1500 – De Portugal ao Saliente Potiguar” nos leva a viajar pelas navegações portuguesas e chinesas, seus navegadores, mostra como se chegou ao cálculo da longitude e latitude, a importância das correntes marinhas na navegação, descreve características dos povos indígenas, além de expor as ligações familiares entre castelhanos e portugueses e os acordos firmados entre Portugal e Espanha – tudo isso cercado, na época, por interesses puramente econômicos.
No dia 22 de abril, quarta-feira, avistaram um monte mui alto e redondo, fundeando a 6 léguas da costa, onde passaram a noite, e no dia seguinte, 23 de abril, fundearam as naus e caravelas a meia légua da orla, daí, como era dia de São Jorge, batizaram um cabo dando-lhe o nome do Santo Padroeiro de Portugal, e assim é nominado no Planisfério de Cantino, hoje com o nome de São Roque. Esse mapa permaneceu desaparecido até 1859.
Daquele ponto, a armada navegou obra de 10 léguas para o Norte, com um vento Sueste, que são os ventos predominantes entre Rio do Fogo e Touros, em busca de um ancoradouro natural, um pouso que oferecesse segurança às naus e caravelas, que tinham um calado de 4,5m e 2,5m, respectivamente, fazerem a aguada, reabastecerem de lenha e frutos, descanso da marinhagem e prosseguirem em direção à Índia.
Nesse local foi chantado um marco de posse em pedra lioz, com a Cruz de Cristo e as Armas Reais. Esse padrão se encontra atualmente na Fortaleza dos Reis Magos, em Natal, no Rio Grande do Norte.
O comércio com a Índia era muito lucrativo e as especiarias eram vendidas por um preço 15 vezes àqueles que pagavam em Calicute. De início o pau-brasil era a mais importante riqueza da Terra de Santa Cruz. Tomou, o Rei, apenas o cuidado de declará-lo monopólio da Coroa Portuguesa, assinando em 1502 um contrato de arrendamento, para todo o território, com um grupo de cristãos novos liderados por Fernando de Noronha. De toda forma, o Brasil começou a ser cartografado em planisférios, mapas continentais ou em cartas atlânticas. Detalhavam, principalmente os Cabos de São Jorge e Santo Agostinho na Volta da Guiné, dando ênfase o percurso bordejando o litoral no sentido Norte-Sul e seguindo em direção da latitude aproximada do Cabo da Boa Esperança.
Chegará o dia, disso devemos estar convencidos, que se erguerá na Praia do Marco, no lado Oeste do Oceano Atlântico e porta oficial do Brasil, um segundo Monumento, esse dedicado aos Caravelistas e Navegadores Portugueses que venceram o Cabo de São Roque, esquina do Atlântico Norte para o Atlântico Sul e onde Pedro Álvares Cabral tomou posse oficial da terra.
Assim, doravante, quando perguntas forem formuladas, as respostas já não serão aquelas aprendidas ou, melhor dizendo, colocadas como verdade nos bancos escolares até hoje. O inquirido, se tiver lido esse trabalho, cujo temo continuo a pesquisar, vai no m mínimo, pedir um tempo maior para se pronunciar, favoravelmente ou não. Disso tenho certeza.

(À venda no Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, para o qual toda a renda foi revertida)