24.10.09

Relato sobre a Ribeira (*)

Grupo Escolar Augusto Severo e Escola Doméstica de Natal na Ribeira.

Em meados da década de 1960 a Ribeira abrigava os principais centros viários de Natal: a estação rodoviária, a estação da Rede Ferroviária e o movimento portuário. Podiam-se observas casas residenciais e conjuntos habitacionais em torno da Ribeira-Rocas, onde moradores, em sua maioria, eram funcionários da Rede Ferroviária Federal e outros estabelecimentos comerciais localizados na Ribeira.
Naquela época, o êxodo rural já era uma realidade. Muitos saíram do interior do estado a convite de parentes para trabalhar e estudar na Capital ou se aventuravam em busca de uma vida melhor, e, geralmente, iam trabalhar na Ribeira, pois lá era um centro comercial importante, onde se localizava o comércio “em grosso”, o da construção civil, as oficinas e os serviços mais ligados a economia e a infra-estrutura econômica de Natal.
A rodoviária movimentava um grande comércio ao seu redor com a venda dos mais diversos produtos. Perto dela ficava a estação ferroviária. O trem não se limitava a levar pessoas, transportava, também, mercadorias e cargas, de Natal para cidades do interior do Estado. Do mesmo modo vinham no trem, do interior, produtos para a Capital. Além disso, fazia o transporte interestadual indo para os Estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba.
Desde meados da década de 1950, o Porto de Natal é até hoje um local de embarque e desembarque para embarcações oriundas de outros Estados brasileiros e do Exterior, porém não comporta grandes embarcações por motivos estruturais. Muitos investimentos foram feitos para retirar a “Pedra da Bicuda” na boca da barra do Rio Potengi. Os principais produtos que movimentam o Porto são frutas e camarão. Hoje ainda se encontram algumas lojas de artigos para barcos e pesca na Ribeira.
O comércio da Ribeira iniciou-se com a venda de cereais e depois se diversificou. O horário de funcionamento era de 7 às 11:30 e de 13 às 17:30 entre 1950 e a década de 1980, que foi um período muito auspicioso para o bairro.
Havia um sério problema de alagamento nas proximidades da rodoviária e do Teatro Alberto maranhão, causando sérios transtornos aos moradores e ao comércio. O entorno da Praça Augusto Severo era área úmida e para os moradores e freqüentadores, na época de chuvas, principalmente, tornava-se necessário tirar os sapatos e levantar as bainhas das calças ou as saias, para poder caminhar sem molhar suas vestes.
Apesar de provinciano, o bairro, um dos principais da cidade, não poderia de deixar de acompanhar sua evolução estrutural, com os principais comércios e órgãos públicos. Por ser um bairro predominantemente comercial, a Associação Comercial não poderia ter surgido noutro local, assim como o Clube de Diretores Lojistas. A Junta Comercial também estava localizada na Rua Dr. Barata.
O Teatro era um espaço reservado à “elite”, e por longo tempo era impeditivos aos mais humildes que não faziam parte da “cultura da elite” e era através da música e da religião que eles davam sua rica contribuição para a cultura da Ribeira através de diferentes manifestações artísticas e culturais.
O prédio do Grupo Escolar Augusto Severo, antiga escola Modelo, foi transformado posteriormente na Faculdade de Direito. Diante da mesma Praça está localizado o prédio da antiga Escola Doméstica de Natal.
Nos primórdios, a área da praça e seu entorno eram ocupados por uma tribo Potiguara e ao lado passava um riacho que foi aterrado e como lembrança restou uma pequena ponte, hoje descaracterizada.
O atual prédio do Colégio Salesiano foi a residência de Juvino Barreto, sendo doada após sua morte a Ordem dos Salesianos com o intuito de se implantar um projeto social para a comunidade. Em frente, onde hoje é uma agência da Caixa Econômica funcionava a fábrica de tecidos de Juvino Barreto.


(*) Extraído do trabalho: Ribeira por Marcelo B. M. Tinoco, Maria Dulce P. Bentes Sobrinha e Edja B. F. Trigueiro.

3 comentários:

alderico leandro disse...

Neto. por favor,inclua minha foto no seu mural. Com relação à materia, saiu ótima

Iracema disse...

Minha mãe, Teca de Zé Paulino (como é carinhosamente chamada), estudou na Escola Doméstica de Natal, na década de 40. Ela foi aluna da professora Noilde Ramalho e guarda com carinho os cadernos daquela época. Em 15 de outubro minha mãe completou 86 anos e dei de presente para ela uma matéria sobre dona Noilde, que retirei no site Natal de Ontem. Entre os inúmeros presentes que ela ganhou, esse foi o que mais lhe emocionou.

Anônimo disse...

Excelentes, valiosas e verdadeiras as informações sobre o bairro da Ribeira. E eu gostaria de colaborar com uma informação complementar, que é fruto de um livro que estou terminando de escrever (História do Corpo de Bombeiros do RN). Esta importante organização militar teve o seu nascedouro na Ribeira, exatamente na rua Ferreira Chaves, no mesmo prédio onde funcionou por muito tempo a famosa "Delegacia de Roubos e Furtos". A criação do Corpo de Bombeiros (na época - Seção de Bombeiros) foi a 29 de novembro de 1917 e a inauguração do prédio se deu a 1º de janeiro de 1919, com a presença do então Governador Joaquim Ferreira Chaves Filho.
O restante da história estará contada no livro.
Angelo Dantas (dantas.angelo@ig.com.br)