30.12.08

Bairros de Natal III


Continuamos com a origem e significado dos nomes dos bairros da cidade.


REGIÃO ADMINISTRATIVA OESTE

BOM PASTOR – A origem é bíblica. Usado pelas comunidades cristãs para lembrar a figura de Jesus Cristo,
CIDADE DA ESPERANÇA – A Esperança for o slogan da campanha política do ex-governador Aluízio Alves, que teve a iniciativa de construir o primeiro conjunto habitacional da cidade, denominando-o Cidade da Esperança. Este nome foi conservado quando o conjunto passou à condição de bairro.
CIDADE NOVA – Este nome foi adotado para identificar as várias construções que surgiram ao lado do conjunto habitacional Cidade da Esperança, conservando-o quando passou à condição de bairro.
DIX-SEPT ROSADO – Seu primitivo nome era Carrasco. Com a morte do ex-governador Dix-sept Rosado em 1951, o nome do bairro foi mudado em sua homenagem.
FELIPE CAMARÃO – Anteriormente, esta localidade se chamava Peixe-Boi devido à presença deste peixe nos mangues do rio. O nome Felipe Camarão, dado ao bairro, é uma homenagem ao índio Poti, Antônio Felipe Camarão, que se destacou no combate a invasão holandesa.
GUARAPES – Este nome deve-se possivelmente ao prestígio econômico que teve o comerciante Major Fabrício Gomes Pedrosa, pernambucano de Nazaré, dono das terras daquela região que fundou no século XIX, a “Casa dos Guarapes”, gerando assim o nome do bairro.
NORDESTE – Em 1952 a Rádio Nordeste AM, foi a primeira a adquirir alguns lotes no terreno onde se encontra o bairro para instalar os seus transmissores. Determinando assim o nome do local e posteriormente o nome do bairro.
NOSSA SENHORA DE NAZARÉ – O ex-vereador Geraldo Araújo, um dos fundadores do bairro, querendo prestar homenagem a sua terra natal, Nazaré da Mata (PE), deu o nome de Nossa Senhora de Nazaré a este bairro.
PLANALTO – A área de terra do bairro, em sua maioria, fazia parte dos terrenos próprios e terras de marinha, marginais ao Rio Potengi no município de Natal, e, outra parte do terreno, nos municípios de Macaíba e Parnamirim. Ali foi construído o Conjunto Habitacional Planalto, que deu nome ao bairro quando de sua oficialização.QUINTAS – Quintas ou Quinta, segundo Câmara Cascudo, eram casas de campo com terreno de plantio. O mesmo que granja. Antônio da Gama e sua mulher, dona Maria Borges.
Fonte: Manoel Procópio de Moura Jr (Anuário de Natal).
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27.12.08

Bairros de Natal II



REGIÃO ADMINISTRATIVA LESTE

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Continuamos com a origem e significado dos nomes dos bairros da cidade.
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ALECRIM – Conta-se que ali morava uma velha que costumava enfeitar com ramos de alecrim os caixões dos anjinhos enterrados no cemitério da cidade do Natal. Outros afirmam ser pela abundância do Alecrim-de-Campo, naquela região.
AREIA PRETA – Segundo Câmara Cascudo, seu nome provém da cor das falésias ou barreira ali existentes.
BARRO VERMELHO – Este topônimo se perde no tempo, pois na era citado em documentos históricos datados de 1787. Em fins do século XVIII, consta este nome em doações de terras do Senado da Câmara, como era chamado o Governo da ciade. O escritor Itamar de Souza acredita quem provem da cor do terreno ali existentes.
CIDADE ALTA - O sítio da futura Cidade do Natal foi escolhido por ser num chão elevado e firme à direita do Rio Potengi. Com o crescimento da cidade o primeiro bairro, por estar localizado em um chão elevado, ou seja alto, adotou o nome de Cidade Alta.
LAGOA SECA – No início do século passado, no terreno de Lagoa Seca, havia plantas silvestres, vacarias e sítios e era um dos arrabaldes mais visitados pelo natalense. A partir de 1920, foi se formando uma aglomeração em torno da Lagoa Seca que ficava em uma das esquinas formadas pelas atuais avenidas Prudente de Moraes e Alexandrino de Alencar. Seu sangradouro encontrava-se no Riacho do Baldo, que PR sua vez, provinha da Lagoa Manuel Felipe. Este aglomerado Lagoa Seca transformou-se no bairro, cujo nome foi conservado.
MÃE LUIZA – Em um morro, próximo à Praia do Pinto, existia uma parteira que ao se deslocar para prestar, a noite, os seus meritórios serviços de ajudar as parturientes que estavam prestes a “dá a luz”, alumiava os seus caminhos com um lampião. Esta senhora era conhecida por “Mãe Luiza”. Em homenagem a esta parteira, o Morro do Pinto, passou a ser conhecido como morro de “Mãe Luiza” e posteriormente, quando aquela área foi transformada em bairro, conservou-se o mesmo nome.
PETRÓPOLIS – Este topônimo está ligado à cidade homônima fluminense. Antigamente a parte mais alta do bairro era denominada Belo Monte.
PRAIA DO MEIO – Um tipógrafo chamado Manuel Joaquim de Oliveira construiu uma casa em frente ao mar. A casa ficava entre as praias de banho, Ponta do Morcego como era popularmente chamada e a Praia de Areia Preta. O local da casa ficou sendo chamado de Praia do Meio. A praia do meio avançou e ocupou a Ponta do Morcego, ficando como Praia do Meio, dando assim nome ao bairro.
RIBEIRA – A Ribeira foi o segundo bairro de Natal. A cidade começava a crescer na parte baixa da beira rio. Ribeira, segundo o Dicionário Aurélio é “o terreno banhado por um rio”. Câmara Cascudo esclarece que o bairro antigamente era uma campina alagada pelas marés do Rio Potengi, daí o nome Ribeira.
ROCAS – O nome Rocas provém do Atol das Rocas, referência para os pescadores, que ali realizavam suas atividades.
SANTOS REIS – A sua denominação é uma homenagem aos Santos Padroeiros: Gaspar, Belchior e Baltazar, cujas imagens doadas pelo El Rei Dom José I, para a capela da Fortaleza dos Reis Magos.
TIROL – O nome Tirol, afirmava Pedro Velho, foi apenas uma lembrança da Áustria , com era costume na época.

Fonte: Manoel Procópio de Moura Jr (Anuário de Natal)
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24.12.08

Bairros de Natal I


Cada bairro de uma cidade é parte integrante do todo administrativo, como também, é uma parcela indivisível na visão dos seus habitantes, haja vista as grandes contendas acontecidas entre os habitantes dos bairros da Cidade Alta e Ribeira, ou seja, entra Xarias e Canguleiros respectivamente, no início do século passado.
Natal conta com 36 bairros cujos espaços são reconhecidos pela municipalidade que lhe confere denominações oficiais. Entretanto, as origens dos seus nomes e de algumas áreas que já foram consideradas bairros, são desconhecidas por uma parcela da população e, com raríssimas exceções, pelos próprios residentes do bairro.


ZONA NORTE:

IGAPÓ – Antigamente o local se chamava Aldeia Velha. Igapó no idioma tupi significa água que invade, a enchente, o alagável. Como aquela região apresenta estas características e tendo sido uma antiga taba, originou o nome indígena do bairro.
LAGOA AZUL – O bairro surgiu em uma área próxima a várias lagoas, inclusive uma que se chama Lagoa Azul, estando aí a origem do topônimo do bairro.
NOSSA SENHORA DA APRESENTAÇÃO – O nome do bairro é uma reverencia a padroeira da cidade do Natal que é festejada em data de 21 de novembro.
PAJUÇARA – O nome proveniente de Ipajuçara, que no idioma indígena significa Lagoa da Palmeira Juçara (em tupi juçara significa espinhosa). Em 1987, foram construídos os Conjuntos Pajuçara I e Pajuçara II, iniciando assim a primeira ocupação do bairro que foi oficializado dom o nome dos Conjuntos.
POTENGI – O nome do bairro é referência ao Rio Potengi que banha a cidade do Natal. Antigamente conhecido como Rio Grande.
REDINHA – O pesquisador Olavo Medeiros Filho, diz que uma doação feita a Joana de Freitas da Fonseca, viúva do Capitão Manuel Correia Pestana, com os seguinte dizeres: ”Receberam, por título de compra, da viúva Dona Grácia do Rego o sítio chamado de Redinha, da outra banda do rio desta Cidade”. O nome deve ter neste sítio sua origem.
SALINAS – O engenheiro Roberto Freire pretendia instalar, nas terras em que se encontra o bairro uma salina e com essa finalidade adquiriu as terras que pertenciam à família Toselli. Com o passar do tempo, verificou-se que fatores de ordem natural, como o alto índice de pluviosidade, dificultavam o êxito do empreendimento não justificava investir na atividade naquele local, no entanto o empreendimento determinou o nome do bairro.
Fonte: Manoel Procópio de Moura Jr (Anuário de Natal) - Continuaremos com as demais regiões administrativas.
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21.12.08

Dons de um Dom


Dom Nivaldo Monte
“Meu irmão, eis que descobri a minha vocação: semear alegria” (Dom Nivaldo)

O arcebispo Dom Nivaldo Monte foi sempre um vigilante, episkopos, um legítimo sucessor dos apóstolos. A sua missão foi a de estudar, compreender, gerir, santificar.
Nasceu em Natal a 15 de março de 1918 e faleceu a 10 de novembro de 2006.
Em sua vida e formação de novos religiosos, nunca admitiu discriminação ideológica. Tomou corajosamente a defesa de D. Helder Câmara, afirmando que ele nunca fora um líder comunista, mas apenas um líder carismático. Estudou a ciência de Deus e a ciência dos homens. Viveu a ensinar, quer como professor de grego e latim, prelecionando história natural, psicologia, história e filosofia da educação.
Dom Nivaldo foi uma pessoa profundamente realizada e feliz, um artista da palavra e mestre do desenho, uma alma cheia de encantamentos, um apaixonado amante da natureza, de sua terra e de sua gente, um servidor dos homens.
Convencido de que toda palavra é uma semente, pretendia apenas disseminar, propagar os ensinamentos cristãos, interpretá-los na busca de fazer feliz e de melhorar as pessoas.
Sempre cuidou da terá com zelo e carinho, descobrindo a vocação do solo, potencialidades, riquezas de frutos, experimentações. Fez experiências de migração de hormônios vegetais em enxertos para depois fazer árvores jovens multiplicarem-se.
Era um asceta típico: corpo magro, voz de timbre angélico, bem humorado, tratava a todos de poeta. Dirigiu vidas e acalmou tormentas. Naquele pequeno corpo estava um rio de ternura humana. Era um poeta de profundo sentido místico e encantava pelo amor que tinha à natureza. Amava as árvores e as árvores o amavam. Não se perdia na facilidade dos gestos.
Ao renunciar o Governo Episcopal, voltou-se para Emaús, sua granja, onde continuou a desenvolver suas experiências genéticas, buscando, como sempre o melhor aproveitamento de nossas plantas.
Amou a Igreja, a família, seus amigos, sua terra.
Dom Nivaldo foi um homem de ontem e de hoje.
Fontes: "O semeador de alegria"(Diógenes da Cunha Lima) e Tribuna do Norte.
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19.12.08

Guia semanal de cultura, lazer e entretenimento.

Já está circulando a versão impressa do Solto na Cidade, guia cultural de Natal que estreou há aproximadamente um mês na internet com enorme aceitação do público. Já em seu segundo número, o impresso – com circulação semanal – foi recebido também com grande entusiasmo. Com um layout moderno, linguagem acessível e qualidade de impressão, a publicação traz informações sobre as principais atividades culturais que acontecem na cidade durante a semana, nos mais variados segmentos, sendo uma ferramenta essencial na divulgação da cultura local e no estimulo ao turismo.São 10 mil exemplares por semana, distribuídos gratuitamente em mais de 60 pontos estratégicos espalhados pela cidade — Instituições e entidades culturais, cinemas, casas de espetáculo, teatros, museus, bancas de jornal, livrarias, bares, restaurantes, cafés, faculdades, hotéis, shoppings. Com um formato diferenciado, estreito na largura, fácil de manusear e de transportar, o Solto na Cidade pode ser guardado em pequenos espaços, para ser lido em qualquer lugar e a qualquer hora. A versão on line (veja link em Outros Links e Blogs, ao lado à esquerda) traz, além dos eventos que acontecem na cidade, conteúdo extra, como entrevistas com nomes do meio cultural. Atualizado diariamente, o site realiza ainda sorteio de brindes e ingressos para eventos, entre outras promoções e atividades. A idéia do guia foi concebida com base em modelos similares de guias culturais e de entretenimento, comuns por toda Europa e em grandes cidades do Brasil. A direção está a cargo da jornalista Anne Caroline Medeiros e do empresário Federico Rinaldi e o conteúdo editorial é assinado pelos jornalistas Itaércio Porpino, Marcelo Tavares e Cleo Lima, todos com conhecimento e experiência na área cultural.

18.12.08

Natal de muitos ontens.

Prezado Neto, eis-me aqui enxerido invasor do seu blog, para relembrar um pouco Natal de vários ontens. Isto se a memória ajudar. A mais remota recordação do meu Natal de antigamente prende-se a nossa chegada à cidade. Sim, minha família é da Paraíba e eu, o mais velho dos seis filhos de Seu Manoel e de Dona Laura. Aqui apeamos, eu com oito anos de idade, em 1952. Fomos morar na Rua Mossoró esquina com a Rodrigues Alves. Uma casa com um quintal imenso, que mais parecia uma granja, tão grande era o pomar. Fruteira de toda a natureza: goiaba, caju, laranja, manga, carambola, sapoti e, uma fruta que chamávamos azeitona. Até hoje não descobri o nome da dita, cuja característica era arroxear a língua quando saboreada.
A Rua Mossoró, continuação da Ulisses Caldas, não tinha calçamento. A pavimentação morria na junção das duas artérias. Lembro-me bem da trilha deixada na terra solta pelos lotações nos seus percursos circulares - quem imaginaria, meu caro, “desfrutarmos” do trânsito caótico de hoje? Por esse caminho, todos os sábados, eu e minha mãe íamos às compras no Mercado Público da Cidade Alta. Aquele mesmo acometido por um incêndio misterioso. Cesto de vime na mão cumpria minha obrigação como um castigo. Naquele tempo proliferavam os verdureiros. Ah, os verdureiros! Dava-me dó ver o esforço daqueles homens vendendo frutas e verduras, numa engenhoca de cipó trançado, com vários compartimentos para cada tipo de produto oferecido aos clientes. Os ombros protegidos por uma rodilha suportavam pesos exagerados.
Com a proximidade do Natal e do Ano Novo começavam as festividades públicas. Dessas, não me sai do pensamento o pastoril. Um tablado elevado armado na avenida formava o cenário para as apresentações das moçoilas: as pastorinhas. Representavam duas facções: os cordões azul e encarnado. As meninas entravam em cena cantando: “Boa noite meus senhores todos!/Boa noite senhoras também!/Somos pastoras, pastorinhas belas./Alegremente vamos a Belém.” Comandava o espetáculo a Diana reinando absoluta num vestido bicolor. Uma banda vermelha outra azul. Nas minhas fantasias juvenis, perdi as contas das vezes em que me imaginei raptando a Diana, para objeto de meus desejos poluídos. Se eu fosse um mago teria minimizado a Diana e a encarcerado na redoma de uma caixinha de música. Assim, ainda hoje, quando me batesse a melancolia, procuraria um refúgio secreto, daria corda no mecanismo da caixa mágica, apenas para ouvir minha Diana soltar a voz e entoar sua canção-tema: “Sou a Diana não tenho partido,/ o meu partido são os dois cordões./Eu peço palmas, peço riso e flores,/e aos meus senhores peço proteção”. Ah, Natal de tantos ontens!
Uma outra lembrança, meu caro Neto, que guardo carinhosamente no lado esquerdo do peito, bem próximo do coração, é a do nosso Atheneu no começo dos anos 60. O Atheneu de Pecado. Líder estudantil sem conotação política, alienado e bagunceiro, mas, respeitado e ouvido. Lembro-me de Pecado uma figura magra, quase esquelética e exótica. Desengonçado, encurvado ao andar e sempre, sempre com um cigarro pendurado no canto da boca. Pecado ensebou muitos trilhos na Junqueira Alves, para bondes escorregarem na rua aladeirada, diante do desespero de motorneiros, cobradores e passageiros. Como não bastasse o transtorno causado, ele e a molecada, de carona nos estribos aumentavam a carga do bonde, para dificultar a subida.
Alcancei o Atheneu no tempo em que Latim, Inglês, Francês e Espanhol faziam parte do currículo. Tive o prazer de assistir aulas de Esmeraldo Siqueira, Floriano Cavalcanti, Protásio Melo e de Dona Olindina. No intervalo das aulas sentávamos no muro do lado da Potengi e ensaiávamos um coro de assovios, para encabular as alunas do Colégio Imaculada Conceição, retornando das aulas do turno matinal. Ah, Natal de tantos ontens!
Pois é, prezado colega, sou tão saudosista quanto você e aqueles que visitam o seu blog. Sua iniciativa foi uma atitude louvável. Tanto é verdade que a satisfação emana do fundo da alma ao encontrarmos neste espaço eletrônico resíduos da história que desfrutamos. E recordando a vivenciamos novamente, pois recordar é viver.
(José Narcélio Marques Sousa)
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14.12.08

I Caminhada Histórica do Natal


Ontem, sábado, 13 de dezembro, realizou-se a I CAMINHADA HISTÓRICA DO NATAL, partindo da Praça André de Albuquerque na Cidade Alta até o Largo da Rua Chile na Ribeira. Prestigiando a caminhada dela participaram e prestigiaram centenas de pessoas desde bebês nos braços dos pais ou em carrinhos empurrados por alguns deles até idosos com quase 80 anos de idade. A ausência de pessoas públicas foi notada por muitos, talvez cansados da 'extenuante' campanha eleitoral encerada a pouco mais de dois meses.
A caminhada iniciou às 16 horas e o passeio permitiu reviver e conhecer grande parte da trajetória histórica de nossa cidade, mostrando nossa arquitetura e diversidade. Não houve a pretensão de se prender a detalhes minuciosos, nas paradas estratégicas jovens professores faziam uma narração sucinta e objetiva de cada monumento.
Além de saudável foi uma forma diferente de se conhecer e entender melhor o tempo e o espaço que vivemos.
No trajeto, iniciado na Praça André de Albuquerque, tivemos oportunidade de ouvir detalhes da história da própria Praça, da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, do Instituto Histórico e Geográfico, do Memorial Câmara Cascudo, da Praça Padre João Maria, da Casa Colonial da Rua da Conceição, do Museu Café Filho, da Praça 7 de Setembro, do Palácio Potengi (Palácio da Cultura), do Palácio Felipe Camarão, da Igreja Presbiteriana de Natal, da Sede da OAB, do Solar Bela Vista, da Capitania das Artes, da Casa de Câmara Cascudo, do Jornal “A República”, do Colégio Salesiano São José (antiga morada de Juvino Barreto), da Praça Augusto Severo, do Museu da Cultura Popular, do Teatro Alberto Maranhão, do antigo Grande Hotel, dos prédios da Rua Tavares de Lira e Rua Chile e adjacências e do próprio Largo da Rua Chile, onde nos aguardava um show musical. O evento foi realizado com o apoio de mais de vinte órgãos, entidades e empresas.
Espero que essa idéia não caia no esquecimento e que no futuro seja incentivada a participação de escolas de toda nossa rede de ensino, podendo inclusive fazer parte de um trabalho escolar dos estudantes.
O Blog Natal de Ontem parabeniza os promotores e participantes.
Fonte: Roteiro da I Caminhada Histórica do Natal.
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11.12.08

Escola de Engenharia de Natal

11 de Dezembro: Dia do Engenheiro e do Arquiteto.
Aproveito para publicar algo sobre a Escola de Engenharia de Natal, que surgiu da preocupação do governador Dinarte de Medeiros Mariz, em face do pequeno número de engenheiros no estado. Esse fato foi importante para a criação de uma escola de engenharia no estado.
A Lei Estadual nº 2045, de 11.09.57 criou a Escola de Engenharia de Natal para funcionamento previsto a partir de 1960, e pela Lei nº 2.452, de 16.11.59, passou a se denominar Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Norte. Com a promulgação do Decreto Federal nº 47.438, de 15.12.59 recebeu licença da Diretoria de Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura para funcionar a partir de 1960, depois de cumpridas as exigências formais para a liberação do curso.
Com o currículo definido, o corpo docente selecionado, o pessoal de apoio administrativo escolhido, as monografias dos professores aprovadas, as acomodações preparadas e móveis e equipamentos adquiridos, a Escola estava apta a realizar o exame vestibular e iniciar o primeiro curso de Engenharia Civil do Rio Grande do Norte.
Os primeiros professores nomeados, após apresentação de prova de títulos e defesa de monografia, foram Geraldo de Pinho Pessoa, Ubiratan Pereira Galvão, Célio de Carli, Aurino Borges, Nilson Rocha de Oliveira, Kleber de Carvalho Bezerra, José Henriques Bittencourt, Edilson Medeiros da Fonsêca, Moacir Maia, Clóvis Gonçalves dos Santos, José Nilson de Sá, Juarez Pascoal de Azevedo, Carlos Augusto de Araújo, Renato Gomes Soares, José Mesquita Fontes, Milton Dantas de Medeiros, Wilson de Oliveira Miranda, Rômulo Rubens Freire Pinto, Malef Victório de Carvalho, José Bartolomeu dos Santos, Antônio Ramos Tejo, Adriano Duarte Vidal Silva, José Antomar Ferreira de Souza, Fernando Cysneiros, Hélio Varela de Albuquerque, Gilvan Trigueiro, Marcelo Cabral de Andrade e Dirceu Victor de Hollanda. Em 27.11.59 foram nomeados Fernando Cysneiros e José Bartolomeu dos Santos, diretor e vice-diretor da nova Escola.
A solenidade de instalação da Escola de Engenharia aconteceu em 21 de dezembro de 1959, no anfiteatro da Maternidade Januário Cicco. Estavam presentes, entre outros, o Governador do Estado Dinarte Mariz, o vice-governador José Augusto Varela, o reitor Onofre Lopes, o presidente do Tribunal Eleitoral Carlos Augusto Caldas da Silva, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Natal Eugênio de Araújo Sales, o deputado federal Teodorico Bezerra e o corpo docente da escola.
No dia 16 de março de 1960, no pavimento superior da sede da Escola de Engenharia, na Rua Padre João Manoel, o professor Juarez Pascoal de Azevedo proferiu a aula inaugural na sessão solene de instalação do primeiro curso de Engenharia Civil do Rio Grande do Norte.
A primeira turma da escola era composta de Evandro Costa Ferreira, Jário Pereira Pinto, José Ivaldo Borges, Joaquim Elias de Freitas, Liacir dos Santos Lucena, Romeu Gomes Soares e Walter Araújo, os primeiros engenheiros formados pela Escola.
O Centro de Tecnologia da UFRN, sucedeu a Escola de Engenharia e está estruturado em sete departamentos: Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção e Têxtil e Engenharia Química e onze cursos de graduação: Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil, Engenharia de Computação, Engenharia Elétrica, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Engenharia Química, Engenharia Têxtil, Cooperativismo e Zootecnia .
Dados extraídos do livro História da Escola de Engenharia da UFRN de José Narcélio Marques Sousa. (2003).
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8.12.08

Tábua das Marés - Porto de Natal

Acrescentamos em Outros Links e Blogs o link da Tábua das Marés para o Porto de Natal. Atualizaremos mensalmente.

720 a 735 Não poderemos esquecer...

Propaganda dos Anos 60 - Tarcísio Meira e Glória Menezes (Ducal) video

735.- Da magia dos mergulhos no Poço do Dentão;
734.- Da viúva Salomé, que frequentava todas as missas;
733.- Das meninas da 25 de Dezembro;
732.- De Luis Rola, o rei das Rocas e de suas brigas;
731.- De Luís Tavares, o gladiador ds esquinas e rei dos bares;
730.- De Luiz Gonzaga cantando na Festa da Mocidade, na Praça Pio X;
729.- De que a 15 de Novembro era o puteiro do dia-a-dia;
728.- De que a Rua José de Alencar se chamava Rua da Estrela;
727.- Das histórias e fábulas de Pedro Bala;
726.- Do Dr. Choque e sua resposta padrão: "É o boga da mãe!";
725.- Do "roubo" de galinhas no Sábado de Aleluia;
724. -Do Refoles, que relembra o corsário Francês Riffault, alí no Alecrim;
723.- Dos comícios de esquerda no Grande Ponto;
722.- Dos mergulhos no Cais da Rua Tavares de Lyra;
721.- Dos pastoris encantados de Miguel Leandro;
Vídeo enviado por Minervino Wanderley e citações extraídas do livro Autobiografia-Poemas do "Mbururicha Ojuara" Nei Leandro de Castro (2008).>

5.12.08

Provérbios populares.

Rua Jundiaí.

Os provérbios são máximas ou sentenças de cunho moral sobre as ações humanas que nasceram da vivência e experiência popular. Expressam de modo conciso essa experiência acumulada pelo povo e ilustram a chamada sabedoria popular. São também conhecidos como adágios, ditados, anexins ou ditos populares.
São transmitidos de boca em boca, de geração em geração. Expressam, em suma, a filosofia popular. Selecionamos alguns provérbios bastante conhecidos e usados por nós:



A mentira tem pernas curtas.
A ocasião faz o ladrão.
A pressa é inimiga da perfeição.
Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Amigos, amigos; negócios, à parte.
Amor com amor se paga.
Cada louco com sua mania.
Cão que ladra não morde.
Casa de ferreiro, espeto de pau.
De médico, poeta e louco, todo mundo tem um pouco.
Desgraça pouca é bobagem.
Devagar com o andor, que o santo é de barro.
Dois bicudos não se beijam.
É melhor prevenir que remediar
Em boca fechada não entra mosca.
Filho de peixe, peixinho é.
Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
Nem tudo que reluz é ouro.
Nunca digas: desta água não beberei.
Para bom entendedor meia palavra basta
Quando um não quer, dois não brigam.
Quem canta seus males espanta.
Ri melhor quem ri por último.
Um dia é da caça, outro do caçador.
Uma andorinha só não faz verão.

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2.12.08

Expressões populares

Iate Clube do Natal

"... a vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros.
Vinha da boca do povo na língua errada do povo.

Língua certa do povo.
Porque ele é que fala o gostoso português do Brasil..."




A pesquisa, o registro e a reunião de vocábulos e expressões populares, principalmente no Nordeste do Brasil, foi sempre uma preocupação para pesquisadores e folcloristas como Luís da Câmara Cascudo, entre outros.
O povo é que faz a língua, adicionando termos e expressões. É importante salientar que a maioria das expressões populares existentes no português falado no Brasil, tem origem no Norte e Nordeste, onde a língua falada e escrita foi muito enriquecida por causa do processo de colonização.
Por ser um país de proporções geográficas enormes, o Brasil possui muitas expressões lingüísticas regionais: o linguajar gaúcho, com influências das suas fronteiras; a influência portuguesa, no linguajar nortista; o modo do nordestino se expressar; a gíria carioca; expressões típicas usadas pelos mineiros e paulistas. Hoje, com a tecnologia eletrônica e as facilidades na comunicação entre as pessoas, as expressões populares “viajam” pelo território nacional, tornando-se mais conhecidas. Até as novelas de televisão as utilizam.
Algumas expressões populares típicas do Nordeste e de Natal:


a torto e a direito- indiscriminadamente;
abestado – bobo, abestalhado;
aboletar-se – instalar-se;
acocho –aperto, arrocho;
amofinado – aborrecido, infeliz;
aperreado – nervoso, preocupado;
arretado – irritado ou então algo muito bom;
assim ou assado – de uma maneira ou de outra;
assobiar e chupar cana- fazer duas coisas ao mesmo tempo;
atanazar – aborrecer, importunar;
atirar pedra em casa de marimbondo- mexer com quem está quieto e se arriscar;
bagunçar o coreto – anarquizar, cometer desordem;
balela – boato, conversa fiada;
bater o facho – morrer;
berloque – pingente, enfeite;
birinaite – bebida alcoólica;
bisaco – saco, sacola;
botar as barbas de molho – tomar as devidas precauções;
brocoió – medíocre, caipira;
bugigangas – coisas sem valor;
cabreiro – desconfiado;
cachete – comprimidos, pílulas;
cafua – depósito, lugar pequeno;
cafundó – lugar muito longe;
cascavilhar – procurar, investigar;
chamaril – coisa para chamar a atenção;
chinfrim – coisa ordinária;
cutucar o cão com vara curta – mexer com quem está quieto e se arriscar;
deforete – tomar uma brisa, ao ar livre;
degringolar – desordenar, desorganizar, algo que dar errado;
derna – desde
destambocar – tirar pedaço;
destrambelhada – desajustada metal;
empeiticar – importunar;
empiriquitado – enfeitado;
encangado – junto, pregado;
espoletado – danado da vida, com raiva;
estrambólico – extravagante, esquisito;
faniquito – desmaio, chilique;
fiofó – traseiro;
fuleiro – sem muito valor, ordinário;
fulustreco – fulano;
fuzuê – barulho, confusão;
gaitada – risada estridente, gargalhada;
gastura – incômodo, mal-estar;
goga – contar vantagem, vaidade;
guenzo – magro, esquelético;
inhaca – mau cheiro, catinga, fedor;
inté – até logo;
jururu – triste, pensativa;
labrugento ou lambugento – serviço malfeito;
lambança – desordem, barulho;
levar gato por lebre – ser enganado, logrado;
levar desaforo pra casa – acovardar-se, não reagir;
macambúzio – tristonho, pensativo;
malamanhado – desarrumado;
manzanza – preguiça, demora;
mundiça – gente sem educação;
nadica – nada;
nopró – indivíduo difícil;
nos trinques – nos conformes;
oião – curioso, enxerido;
onde o diabo perdeu as botas – lugar ermo, distante;
pantim – exageros, espantos;
peba – coisa ordinária;
peitica – insistência incômoda;
pendenga – assunto por acabar;
penduricalho – enfeite;
pé-rapado – pobretão;
pinicar – beliscar;
pinóia – expressão de aborrecimento;
piripaque – passar mal;
potoca – mentira;
rabiçaca – sacudidela, movimento;
salceiro – barulho, confusão;
samboque – pedaço;
sorumbático – tristonho, pensativo;
sustança – força, vigor;
trepeça – algo que não serve pra nada;
virar defunto – morrer;

virar o copo - ingerir bebida alcóolica;
Foto enviada por Carlos Pachêco

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30.11.08

Frei Damião de Bozzano


"Pio Giannotti, nasceu a 5 de novembro de 1898, em Bozzano, vilarejo da cidade de Massarosa, a 460 quilômetros de Roma. Filho de Félix Giannotti e Maria Giannotti, camponeses humildes e devotos.
Desde cedo, Pio demonstrava inclinação para o sacerdócio. Iniciou seus estudos religiosos na Escola Seráfica de Camigliano em 1910. Aos 12 anos de idade seguiu a inclinação natural que o levaria quatro anos depois, já com 16 anos, ingressar na Ordem dos Capuchinhos, no Convento de Vila Basílica. E ao receber o hábito escolheu o nome de Damião.
Em 1917, aos dezenove anos, Pio Giannotti foi convocado juntamente com seus irmãos capuchinhos, pela Força Militar do Exército, para servir na frente de batalha da Primeira Guerra Mundial. Após o término da guerra ele ainda permaneceu por 3 anos acampado na região de Zarra, fronteira da Itália disputada com a antiga Iugoslávia. Este foi um período da sua vida que lhe deixou profundas e amargas recordações, por ter presenciado enorme carnificina.
Em 1923, quando retornou ao Seminário, foi ordenado sacerdote, na Igreja de São João Latrão em Roma. Neste período ingressou no Colégio Internacional, onde cursou Teologia, Filosofia e Direito Canônico. Concluídos estes estudos, matriculou-se na Universidade Gregoriana e doutourou-se em Teologia Dogmática. Voltou para o convento de Vila Basílica, para assumir o cargo de vice-mestre de noviços, onde passou a lecionar até 1931. Neste mesmo ano, foi convidado pelos seus superiores a fazer uma escolha entre duas opções: permanecer na profissão de professor ou ser missionário no Brasil. Frei Damião seguiu a voz do coração e decidiu pela missão de evangelizar. Dias depois embarcou no navio Cante Rosso, rumo ao Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro e no dia seguinte seguiu para o Recife, Pernambuco. Hospedou-se na Basílica de Nossa Senhora da Penha e adotou o nome de Frei Damião, com o designativo de sua terra natal Bozzano.
Celebrou sua primeira missa no Brasil, em 05 de abril de 1931, na cidade de Gravatá, agreste pernambucano, no mesmo ano em que chegou ao País. No mês seguinte passou três dias consecutivos ouvindo os fiéis, em confissão. Esta atitude do Frei, deu-lhe grande prestígio, conquistando a admiração da população católica daquela região.
Logo no início ele tinha dificuldades em se comunicar com os fiéis. Utilizava uma linguagem gestual, que logo se desfez, quando passou a conhecer melhor a língua portuguesa.
De 1939-1945, período em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial, Frei Damião, foi proibido de realizar missões, devido a sua origem italiana, permanecendo recluso em um convento em Maceió até 1945.
À medida que os anos foram passando Frei Damião tornou-se mais conhecido no
Nordeste. Em suas missões e romarias pelos lugarejos mais distantes da Região, reunia milhares de fiéis das localidades visitadas e romeiros das regiões vizinhas, que caminhavam quilômetros a pé ou viajavam em caminhões para assistir ao grande ato de fé.
Durante as caminhadas ele fazia casamentos coletivos, batismos e sermões, dava comunhão, ouvia confissões. Iniciava seus trabalhos de peregrinação às quatro da madrugada. Saía em procissão por ruas e estradas, em busca das comunidades mais distantes e necessitadas, acordando todos com o badalar de um sino, cânticos e orações.
Devido as suas intensas peregrinações pelo interior do Norte e Nordeste do Brasil, pregando o evangelho à grande número de pessoas, ficou conhecido como o andarilho de Deus.
Foi o único pregador que visitou o Nordeste em missão Franciscana, recebeu centenas de medalhas e condecorações, inclusive títulos de cidadão honorário em 27 cidades.

Na literatura de Cordel, Frei Damião foi motivo de inspiração para muitos poetas e escritores cordelistas, que escreveram centenas de folhetos relatando a sua vida missionária, seus milagres, testemunhos e sobre seu prestígio popular.
Com o passar dos anos, a intensa vida missionária produziu-lhe uma progressiva deformação causada por problemas de cifose (corcunda) e escoliose, que lhe causou dificuldades na fala e na respiração.
Os últimos anos de vida do Frei Damião de Bozzano foram muito sofridos. Segundo os médicos que o assistiam, desde jovem ele sofria de insuficiência cardiovascular periférica e erisipela, doenças que se agravaram com o tempo, devido as longas peregrinações por cidades empoeiradas.
Em virtude do cansaço e da idade avançada, seu estado de saúde foi se agravando a ponto de tornar-se irreversível. Após 19 dias de coma profundo, veio a falecer aos 98 anos de idade, no dia 31 de maio de 1997, às 19 horas, no Hospital Real Português, no Recife".
(Fonte: Fundaçao Joaquim Nabuco)
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26.11.08

Faróis de Natal


Desde o ano de 1858, Natal, contava com a presença do Farol Reis Magos, situado dentro do forte homônimo, à margem do rio Potengi.
Era um farol de médio porte, com precários recursos de visibilidade e alcance luminoso precários, que merecia ser substituído desde o início da década de 1940, com o advento da Segunda Guerra Mundial. Paralelamente, a cidade se expandia, aumentando também as exportações de açúcar, algodão e sal.
No ano de 1948, a Diretoria de Hidrografia e Navegação aprovou a edificação de um novo farol. O local escolhido foi uma área cedida pela Prefeitura no bairro de "Mãe Luíza".
Durou cerca de dois anos a construção da torre de alvenaria do Farol Natal, cujo nome definitivo, escolhido pela população, ficou como Farol de Mãe Luíza. A sua lanterna, confeccionada pela Oficina de Faróis da Diretoria de Navegação, possui uma seção horizontal, com a forma de um polígono de 18 lados, inscrita em um círculo com 2,60 metros de diâmetro.
O farol, por sua vez, possui um aparelho lenticular da Barbier, Bernard & Turènne, com 375 mm de diâmetro focal e uma fonte luminosa de 1.000W que permanecem instalados até o presente. Pela complexidade e qualidade dos seus equipamentos, o farol necessita de cuidados permanentes por parte de uma equipe técnica especializada e o seu facho tem um alcance de 44 km, em caso de falta de energia o sistema alternativo de gás, operado manualmente, entra em funcionamento.
Quando o Farol de Mãe Luíza foi inaugurado em 1951, concomitantemente, foi desativada a luz do Farol Reis Magos, depois de ter prestado quase um século de bons serviços à segurança dos navegadores.
Localizado no bairro de Mãe Luiza, próximo à praia de Areia Preta e no alto das dunas, o farol marítimo, que recebe o mesmo nome da velha parteira que também deu nome ao bairro, possui uma torre de 37 metros de altura, 87 metros em relação ao nível do mar, com 151 degraus em uma escada helicoidal. A recompensa pelo esforço da subida é uma das mais belas e imponentes vistas da cidade e praias vizinhas, desde o Morro do Careca, ao sul, ao Morro de Jenipabu, ao norte, além da Ponte Forte-Redinha. Durante muitos anos foi pintado em losangos alvinegros, hoje a sua pintura é toda branca. O farol é administrado pela Capitania dos Portos e sempre está aberto a visitas pelo público.
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24.11.08

Luís Inácio Maranhão Filho.


Nasceu em Natal (RN), em 25 de janeiro de 1921, filho de Luís Inácio Maranhão e Maria Salomé Carvalho Maranhão. Desaparecido aos 53 anos. Ex-deputado estadual, advogado, jornalista e professor universitário.
Em 1964 esteve em Cuba, juntamente com Francisco Julião, e, no mesmo ano, com o Golpe Militar, foi cassado pelo AI-1.
Foi preso em São Paulo, no dia 3 de abril de 1974, em uma praça, fato testemunhado por diversas pessoas que tentaram socorrê-lo, pensando tratar-se de um assalto comum. Algemado, foi conduzido em um veículo usado para transporte de presos.
Em maio de 1974, sua esposa denunciou que ele estava em São Paulo sendo torturado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, por meio de carta encaminhada ao MDB e lida na Câmara Federal pelo então secretário-geral do partido, deputado Thales Ramalho.
Em 8 de abril de 1987, a Isto É, da matéria “Longe do ponto final”, publica declarações de ex-médico e torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989 pelo Conselho Federal de Medicina), que reconheceu Luís Inácio no DOI-Codi.
(dhnet.org.br)
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21.11.08

Natal na II Guerra


Com a sua atividade turística, basicamente sustentada pelo binômio “sol & mar”, a cidade do Natal, ao longo dos anos, tem deixado escapar a oportunidade de fomentar novos negócios, a partir da exploração do chamado “turismo histórico” – um nicho de mercado que gera divisas em vários destinos do mundo.
Que Natal foi uma cidade abençoada pela Mãe Natureza, ninguém duvida. Incrustada no encontro do rio Potengi com o Oceano Atlântico, sua beleza é ímpar. Suas praias, com suas águas mornas, têm sido procuradas por turistas nacionais e internacionais. A proximidade com os continentes europeu e africano lhe põe em posição privilegiada no cone sul-americano.
Mas Natal, além de bela, teve seus momentos de glória. Em razão exatamente dessa localização geográfica, que a colocou em meio ao maior conflito da História, que foi a Segunda Guerra Mundial, a cidade escreveu seu nome no cenário mundial. Ao servir de apoio às tropas americanas que se dirigiam aos combates na Europa e África, Natal contribuiu, de forma, significativa, para o sucesso dos aliados.
Aqui, em 1942, foi construída a maior base americana fora dos Estados Unidos. Aos cerca de 35.000 natalenses se juntaram mais de 10.000 soldados americanos, fato que alterou a feição da cidade, deixando-a com ares “americanizada”. Em razão disso, os hábitos dos natalenses foram profundamente alterados, como, por exemplo, as moças passaram a fumar, a beber e a freqüentar bailes, no mais perfeito estilo americano.
Natal perdia aos poucos suas características de cidade pequena. Seus habitantes que até então levavam uma vida modesta e tranqüila, passaram a fazer parte de um local que passou a tomar, inclusive, um aspecto cosmopolita, com a passagem pela cidade de pessoas de outras nacionalidades, com direito a figuras importantes, como D. Francis J. Spellman (arcebispo de Nova York), Bernard (príncipe da Holanda), Higinio Morringo (presidente do Paraguai), Sra. Franklin D. Roosevelt (Primeira-dama dos Estados Unidos), Sr. Noel Cherles (embaixador do Reino Unido no Brasil), a madame Chiang Kai Chek (primeira-dama de Formosa), T. V. Soong, ministro das Relações Exteriores da China, os atores Humphrey Bogart, Clark Gable, o músico Glenn Miller, o cantor Al Johnson, entre outras personalidades.
Mas, o que restou de tudo isso? Qual a herança histórica de Natal? Quase nada. Enquanto vemos cidades como Casablanca, no Marrocos, também por sua condição geográfica, teve importante papel na Guerra, servindo, inclusive, de pano de fundo para um clássico do cinema, Natal mereceu um registro, acanhado, diga-se de passagem, quando aqui foi filmado “For All – O Trampolim da Vitória”.
Não dá para se entender como não temos um museu preservando um momento ímpar da nossa história. Quantos turistas, principalmente americanos seriam atraídos por esse pedaço da História? Infelizmente continuamos com o mesmo espírito pequeno, quando os feitos dos outros são mais importantes que os nossos.
Personagens como Maria Boa e Zé Areia têm que ser resgatados. Eles não podem, nem devem, existir somente na memória dos antigos. Eles fizeram parte, de forma ativa, daquela Natal.
Maria Boa com seu bordel que encantou aos americanos, sendo merecedora de uma homenagem, quando pilotos dos famosos B-25 pintaram uma escultura sua em dos aviões.
Flávio Silva, no seu trabalho Natal na Segunda Guerra Mundial: influência americana e prostituição feminina conta que “cercada por muros altíssimos, iguais às fortalezas de guardar donzelas nos tempos medievais, protegida dos olhares indiscretos e sombreada por enormes mangueiras, a boate de Maria Boa, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, estava para a boêmia local e internacional assim como o Maracanã está para o futebol mundial”.
Zé Areia, com sua “verve”, fez rir toda uma geração. Sua convivência com os soldados americanos é merecedora de obra literária. Seu “comércio” de papagaios com os soldados tem passagens hilárias.
Sobre venda de papagaios para americanos, há uma memorável passagem do nosso herói. Ele vendeu um papagaio muito novo, que tinha até uma ferida na cabeça. Para cobrir o ferimento, ele colou um selo postal. Como o americano estranhasse, ele foi rápido: “Com este selo, ele já está pronto para passar pela alfândega. Fiscalização muito exigente!”. Figuras como Maria Boa e Zé Areia têm que ser eternizadas. Os visitantes precisam conhecer nossa história. Infelizmente pouco, ou quase nada tem sido feito visando isso.
Mas nada está perdido. Temos pessoas que se interessam por isso. Que amam Natal. Falta o poder público colocar essa parte da nossa história como prioridade, que Natal terá um dos maiores chamarizes turísticos do Brasil. É pagar para ver.
Minervino Wanderley (2006)

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18.11.08

706 a 720 - Não poderemos esquecer...

Foto: O Bairro do Tirol nos anos 50

Dos produtos e medicamentos de antigamente, como...
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720.- A Água Inglesa e Polvilho Granada;
719.- O Mercúrio Cromo vermelho e Pomada Mercurial;
718.- O Tônico de Saúde da Mulher;
717.- A Salsaparrilha e Óleo de Rícino;
716.- O Breu com ôvo para pancadas;
715.- O sumo de pião roxo para sarar feridas;
714.- A compressa de folha de Corama;
713.- Os chás de pepaconha, sena ou sabugueiro com Melhoral (é melhor e não faz mal);
712.- O Bizmute e Emulsão De Scott;
711.- O Elixir 914 e Elixir Paregórico;;
710.- As Pílulas do Dr. Ross e a Violeta Gensiana;
709.- O Postafém (para aumentar a bunda);
708.- O Sabão Aristolino para desinfetar e o pó de café para fechar o corte;
707.- A Benzetacil de 500mg para curar blenorragia;
706.- As Pílulas de Vida do Dr. Humphrey's e de seu almanaque;
Enviadas por Salésia Dantas.
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15.11.08

Alguns tópicos sobre Natal.

Discussão de uma Tradição quanto à fundação.
Quanto à fundação de Natal há uma controvérsia que envolve três aspectos: Quem é o fundador e a data da fundação e o nome da cidade?
Em relação à fundação, há três hipóteses: uma tradicional, que atribui a fundação a Jerônimo de Albuquerque; uma baseada no princípio da autoridade que atribui a fundação de Natal a Manoel Mascarenhas Homem; e uma terceira, pois o historiador Luiz Câmara Cascudo considera em seu livro “Rio Grande do Norte”, que o provável fundador da capital do nosso estado tenha sido João Rodrigues Colaço.
Quanto à data da fundação da cidade.
Grande parte dos historiadores afirmam que a cidade de Natal foi fundada no dia 25 de dezembro de 1599, como é o caso do estudioso Hélio Galvão, que afirma não haver prova documental. Além desta data, a hipótese levantada por Olavo de Medeiros Filho, diz: ‘’A Cidade dos Reis pode ter sido fundada no dia 6 de janeiro de 1600 no dia de Reis...’’(Olavo de Medeiros Filho).
Quanto ao nome de Natal.
O nome cidade do Natal ou simplesmente Natal, antes teve vários locativos, nos seus primeiros anos de existência. Frei Vicente Salvador chama de ‘’Cidade dos Reis, como já foi citado acima. Em outro momento foi chamada de Nova Amsterdã, Rio Grande e Sant’Iago, esse último para homenagear o padroeiro da Espanha. Na realidade, este vocativo não criou raízes porque, apesar de Portugal estar subordinado ao domínio espanhol de então, a nossa colonização era totalmente portuguesa.
No entanto o nome Natal, veio surgir no ano de 1614, no Auto da Repartição das Terras do Rio Grande do Norte, realizado pelo Capitão-Mor de Pernambuco, Alexandre Moura, aos 21 de fevereiro de 1614.
(Revista do Instituto História e Geográfico do Rio Grande do Norte, Typografia do Instituto, vol. VII,Nº 1 e 2 ).
Três séculos de lentidão
Século XVII
Os primeiros anos de vida da cidade de Natal foram anos difíceis, paupérrimos.
Os holandeses governaram o Rio Grande do Norte entre 12 de dezembro de 1633 até fevereiro de 1654. Ao se retirarem em 1654, deixaram um legado de exploração de massacres religiosos e destruição.
É importante lembrar que oito anos depois da retirada dos holandeses, Natal elegeu o primeiro senado da câmara em 16 de Abril de 1662, conforme relata Câmara Cascudo na “História da cidade do Natal”
Século XVIII
Somente neste século foi que Natal, começou a adquirir sua fisionomia urbana tradicional. Os dois primeiros bairros foram: Cidade alta e Ribeira – se consolidaram assim as primeiras ruas.
Ao logo do século XVIII se construíram três igrejas, sendo uma na cidade alta e outra na Ribeira.
Câmara Cascudo informa que em 1759, a cidade tinha ‘’quatrocentas braças de comprimento e de largo cinqüenta, com cento e dezoito casas.
Século XIX
A partir de meados do século XIX, a paisagem urbana de Natal começou a crescer, com a construção de vários prédios.
Antônio Bernardo de Passos, para socorrer as vítimas da cólera-morbos, construiu o prédio do Hospital de Caridade, imóvel ocupado pela Casa do Estudante. Construiu, também, o cemitério do Alecrim, inaugurando–o em Abril de 1856. Três anos depois surgiu na paisagem da cidade, o edifício Atheneu Norte Riograndense.
O bairro da Ribeira ganhou no ano de 1869, o Cais 10 de Junho, chamado depois de Cais Pedro de Barros e somente no século XX, passou a ser chamado Cais Tavares de Lira.
Enfim no ano de 1896, o governador Joaquim Ferreira Chaves proporcionando um status de metrópole à cidade de Natal, iniciou a construção do Teatro Carlos Gomes, chamado atualmente de Teatro Alberto Maranhão. (Jornal Ribeira Cultural)
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12.11.08

691 a 705 - Não poderemos esquecer...

Foto: Encerramento do Carnaval do América no Grande Ponto (Quarta-feira de Cinzas de 1966)
Do Ginásio 7 de Setembro e ...

705.- Do orgulho dos alunos por estudar em colégio mixto,
704.- Da Inspetora Federal dona Leonor Cunha,
703.- De Eulício Farias de Lacerda, professor de português
702.- Das professoras de francês, Núbia, Cléa e Eugênia,
701.- Geraldo e Zélia Santiago professores de Latim,
700.- Da cantina de seu Geraldo em baixo da escada,
699.- De seu Raimundo que como seu Viana prestava serviços gerais.....
698.- Do galinheiro e das fruteiras de Dona Maroquinha por trás da quadra de basquete,
697.- Dos cubanos que lá se hospedaram por ocasião do Congresso Latino Americano de Estudantes, em 1961,
696.- De Oscar Nogueira e Hebe Marinho que moraram no 2° andar, êle ensinando Desenho, ela Francês,
695.- Da secretária Teresinha,
694.- De João Pereira, piauiense, professor de História criticando os estado do Maranhão e defendendo o Piauí,
693.- Do Prof.Murilo de Ciências,
692.- Do professor Melquíades de Inglês e do seu entusiasmo quando retornou da 1ª viagem aos Estados Unidos,
691.- Das aulas de Matemática e Educação Física de Tião Cunha,
Foto enviada por João Perboyre e citações por Geraldo Gereba Melo, Salésia Dantas e Manoel Neto.
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9.11.08

De 676 a 690 - Não poderemos esquecer...

Cerimônia no Estádio Juvenal Lamartine com desfile em frente à Tribuna de Honra.

690.- Da segurança que oferecia a cidade, podendo-se andar a pé sem medo de assalto, por toda Natal;
689.- De encher bolas de futebol na Casa Real, onde hoje é a Assembléia Legislativa;
688.- Do Francesinha Clube, vizinho ao Estádio João Câmara;
687.- Do Rio do Baldo, onde se 'pegava' piabas e pitus d'água doce;
686.- Das travessiss para a Redinha na canoa de 'seu' Fortunato;
685.- Dos Festivais de Chopp das Lojas Maçônicas, geralmente na Assen;
684.- Das festas domingueiras no Ajópolis, Associação dos Jovens de Petrópolis;
683.- Do Alecrim Clube (Coice da Burra) e do Quintas Clube;
682.- Do puteiro de Matilde (ainda vive), na Praia do Meio;
681.- Da Sorveteria de 'seu' Aracati, na esquina da Rua João Pessoa com a Av. Rio Branco;
680.- Da primeira "choparia" de cidade: Chico Chopp, na Rua João Pessoa;
679.- Dos músicos Lelé e Mainha, que tantas alegrias deram ao foliões natalenses;
678.- Da farda do Salesiano na côr caqui, camiss com mangas compridas e com galões nos ombros que identificavam a série do aos dos alunos;
677.- Do Bar de Salete, vizinho a Rodrigues Fotógrafo, com aquêle sanitário imundo;
675.- Das festas na Casa do Estudante;
Enviadas por Carlos Augusto Queiroz e Djailson William dos Santos.
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8.11.08

Saudosa Maloca

Éramos crianças, amávamos os Beatles e os Rolling Stones. Fazíamos parte de uma geração de ouro. Tínhamos Pelé, Garrincha, Tom Jobim, Vinícius, Chico Buarque entre muitos outros que se destacavam e se destacam até hoje. Éramos colegas, amigos. De uma união tão forte, que alguns se tornaram irmãos e hoje com certeza, temos outra turma, não de formandos, mais de uma família que teve a sua origem na Escola de Engenharia. Éramos rebeldes, corajosos, inovadores a tal ponto que nos tornamos lendários e ainda hoje somos lembrados. Contam as nossas histórias pela Universidade. Ganhamos um nome. “Turma de 70”. Alex Nascimento, Ayrton Guerreiro, Antônio Garcia, Antônio João, Augusto Guga Leal, Carlos Cortês, Carlos Limarujo, Clovis Veloso, Efábio Peixoto, Mano Dantas, Pancrácio Madruga, Francisco Roberto, Fernando Leitão, José Dantas, José Brilhante, José Williams, Klaus Nóbrega, Laio Alceu, Lulu Flor, Lúcio Flavo, Luis Gonzaga, Beto Melo, Luis de Souza, Manoel Enéas, Manoel Jackson, Maria Lúcia, Marcos Alberto, Marcos Dourado, Oriano, Paulinho Cavalcanti, Rui Santiago. Esses eram os nossos “nomes” de guerra.
O tempo passou, vamos completar trinta e dois anos de formados, permanecemos “quase” que unidos. Houve poucas mudanças, mudanças até aceitáveis quando temos conhecimento maior da genética e sabemos que algumas pessoas se modificam com a idade. Poucos modificaram de comportamento, outros fizeram plásticas, (homens) só tenho medo que inventem de colocar silicone nos peitos ou na bunda. Mas deixa pra lá, o importante é que nesta vida cumprimos (até agora) com nossa missão. Os nossos professores eram verdadeiros amigos, tão amigos a ponto de se juntarem as nossas brincadeiras e se tornarem parte da turma. Adriano Vidal, Antomar Ferreira, Antônio Melo, Aurino Borges, Clovís Gonçalves, Daniel Holanda, Dirceu Holanda, Emanoel Lago, Fernando Guerreiro, Fernando Cysneiros, Fernando Nóbrega, Genário França, Geraldo Pinho, Gilvan Trigueiro, Hélio Varela, João Maurício, Joaquim Elias, José Bartolomeu, José Bitancourt, José Pereira, Wilson Miranda, Ubiratan Galvão, Rômulo Pinto, Roberto Limarujo, Juarez Pascoal, Renato Soares, Otávio Santiago, Nilson Rocha, Nicanor Maia, Kleber Bezerra, Lindolfo Sales, Luciano Bezerra, Luciano Coelho, Luis Jorge Leal, Malef Vitório, Marcelo Cabral, Milton Medeiros, Munir Aby Farah, Newton Rodrigues, assim eram conhecidas as “feras” que nos aturaram durante cinco anos. Quero lembrar também o amigo Romeu Aranha, na época secretário da escola, que vez por outra ficava p da vida com a turma, mas é uma grande alma e logo perdoava as nossas traquinices. A nossa turma era diferente, alegre, a ponto de fazermos teatro dentro da sala de aula, e todos sem exceção faziam parte do elenco, até os professores. Certa vez José Pereira comentou que ia dar um arrocho na prova final, última do curso. Pois bem, montamos um esquema e passamos a rastrear os passos de Pereira no dia anterior a prova. Encontramos a prova rasgada em pedacinhos as onze horas da noite. Conseguimos recompor três das quatro questões. Convocamos a turma e fomos para um grupo escolar resolve-las. Chegamos todos em classe para fazermos a prova com ela já resolvida. Pereira distribui a prova e diz que são quatro questões, mas basta resolver três. Olhamos um para o outro e fizemos um ar de riso. Pereira anuncia quatro horas de prova. Aí começou o espetáculo, era gente suando frio porque o tempo era pouco, disenteria, vômitos Etc. Finalmente Pereira ficou tão nervoso, parou a prova, fez uma prelação, pediu calma e deu mais meia hora de prova. Salvaram-se todos.Em outra ocasião, entramos na sala de aula marchando, com Munir dando aula. Como a sala tava cheia até a metade, nos dirigimos em fila indiana até o final, marchando, Alex era o corneteiro. Quando íamos nos sentarmos ouvimos o grito de Muni
- PELOTÃO SENTIDO. MEIA VOLTA, VOLVER, EM FRENTE, MARCHEM.
De pronto as ordens do comandante (professor) foram atendidas. Marchamos de volta. No
comando, Alex e sua corneta (feita na boca). Chegamos na última fila de carteiras, Muni abriu à porta e gritou – A DIREITA, MARCHEM, diplomaticamente colocou todo o pelotão para fora da sala de aula. A nossa colação de grau foi uma grande festa, em conjunto com as outras escolas e faculdades, na Praça Cívica, hoje novamente Pedro Velho. O reitor era Genário Fonseca. Na hora do juramento todos estiraram o braço direito para frente. Alex era um dos primeiros da fila, em vez do braço, levanta a beca, fica de costas e mostra a bunda (estava só de beca) para todos convidados. Foi um reboliço, Genário ficou mais vermelho ainda, mas fazer o que?
Era assim a nossa maloca, alegre, amiga, atributos que graças a Deus conservamos, trinta e sete anos depois.
(Augusto GUGA Coelho Leal)
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6.11.08

De 661 a 675: Não poderemos esquecer...

Foto: Palácio dos Esportes Djalma Maranhão.
675.- Das fugas das meninas para o Palácio dos Esportes e Ginásio Sílvio Pedroza, durante os Jogos Estudantís;
674.- Dos óculos escuros usados pelos de menor idade para assistir aos filmes de 18 anos, tentando driblar o comissário de menores;
673.- Dos garotos taradinhos roçando as pernas nas pernas das garotas quando as luzes do cinema se apagavam e as broncas destas, falando alto e o cara saindo disfarçado debaixo de vaias. Mas, indo baixar em outra fila com a mesma intenção;
672.- Das respostas automáticas quando na tela anunciava: Breve neste Cinema e alguém dizia: "Eu venho" e outra voz respondia: "De besta". E ainda tinha o último rebate: "É a mãe..."
671.- Do sufoco das garotas na compra dos ingressos na bilheteria do Rio Grande, segurando as saias que o vento levantava enquanto a turma da Tabica, sentada ao meio-fio do outro lado da Rua Assu gritava: "Eu vi (as calcinhas). É branca!;
670.- Do contorcionismo no bambelô (aquele círculo de plástico) . Requebros que eram tidos como imorais;
669.- Do som de violão onde cantávamos músicas de Fagner;
668.- Das moças passeando pelo Grande Ponto, num percurso em quadrilátero que não poderia ser repetido, pois assim ficariam "faladas";
667.- Dos passeios de bicicleta até a praia do Forte, dos quais as meninas também participavam;
666.- Das coleções de lápis e de caixas de fósforos com propagandas comerciais;
665.- Das ''soirèes'' no Aero Clube;
664.- Das matinês no Clube Albatroz da Praça Pedro Velho, especialmente para a turma dançar rock;
663.- Do Libertè e da Boate 775;
662.- Das Festas americanas na casa dos amigos;
661.- Dos primeiros biquinis, nos anos 60 chamados de ''duas peças'';
Enviadas por Daliana Nascimento, Gilnar Paiva Autran e Salésia Dantas.

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3.11.08

Desengavetando cenários da Ribeira.

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Por uma questão do antigo, o nostálgico me atrair a tal ponto de me envolver num clima saudosista. Divaguei no artigo sobre a Ribeira, bairro ao qual cheguei aos três anos de idade quando o meu pai ferroviário José Canuto passou a residir, já que vários setores da rede ferroviária- REFESA ficavam a poucos metros do nosso quintal na Rua General Glicério.
E naqueles prédios de grandes dimensões tive juntamente com meus onze irmãos, contato direto com locomotivas e vagões. O cheiro da lenha queimando nas caldeiras ficou impregnado nas minhas narinas. O saudoso apito do trem jamais saiu dos meus ouvidos, quando ao cair da tarde era recolhido aos galpões que hoje se encontram em decomposição, matando lentamente um passado. A Ribeira vivia o progresso com um comércio diversificado ocupando suas ruas estreitas, o porto num entra e sai constante de navios fazendo surgir firmas de despachos aduaneiros. O teatro era palco de apresentações de grandes espetáculos e dos maiores astros e estrelas do cancioneiro brasileiro.
À noite, quando as famílias se recolhiam e o comércio cerrava suas portas, um outro mundo alegrava o bairro com suas vitrolas ecoando bregas que se expandiam além das janelas das boates e cabarés iluminados pelo brilho do lamê dos vestidos e o vermelho dos batons e esmaltes complementado o look da época. Um cenário “caliente, a media luz” e embriagador, onde jovens da sociedade cursavam a universidade do prazer com direito a diploma e tudo mais.
A minha rua era cercada por uma paisagem bucólica. À frente se deslumbrava um imenso terreno com variadas árvores frutíferas e ao fundo a Lagoa do Jacó, hoje aterrada e transformada em vários blocos de apartamentos. Esta paisagem interiorana terminava ao pé da ladeira da Rádio Poti. Dali em diante, o acesso aos bairros aristocráticos do Tirol, Petrópolis e a Cidade Alta. Acompanhei passo a passo, a derrocada do bairro. O comércio literalmente naufragando, o êxodo dos antigos moradores e o manto de tristeza e abandono que cobriu as noites alegres da Ribeira. Agora, é torcer para que a revitalização do bairro realmente se instale.
(Salésia Dantas)
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1.11.08

De 645 a 660 - Não poderemos esquecer do...

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Ginásio 7 de Setembro e...
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660.- Do Prof. Fagundes,diretor que quando via os alunos fazendo bagunça, botava todo mundo dentro da sala de aula, e lascava no quadro negro, verdadeiros carroções para resolver,
659.- De seu Pedro, que tocava o sino para anunciar o início e o término das aulas,
658.- Das professoras do Primário, Calpúnia, Eulália, Consuelo, Elisa e Anita,
657.- Da Profa. Natércia Maranhão, ensinando Canto Orfeônico,
656.- Do esqueleto completo que ficava na Secretaria,
655.- De William Aires da Rocha e Tião Cunha, professores de Matemática,
654.- Dos Professores de História, Alvamar Furtado e Tarcísio Medeiros,
653.- De Dona Maroquinha, fazendo croché o tempo todo,
652.- De Oscar Nogueira e Hebe Marinho, recém casados, que moraram no 2° andar, êle ensinando Desenho,
651.- De Dr. Nogueira que sucedeu Prof. Fagundes na Diretoria e sua calma,
650.- Da caderneta de anotações diárias de presença e das notas das provas, nas quais as assinaturas dos nossos pais eram freqüentemente falsificadas,
649.- Prof Coutinho de Geografia, que adorava dar nota 2, quando o aluno titubeava na resposta,
648.- Da folha de papel impressa distribuída para os alunos para as provas semestrais, onde havia lugar para nome do aluno, turma, sumário, grau(nota), ...
647.- - Das belas meninas e belos garotos, e com os quais convevíamos diariamente,
646.- De que naquela época já íamos em grupo, à pé, assistir os Jogos Estudantís em outros colégios,
Colaboração dos ex-alunos: Geraldo Gereba Melo, Jardna Cavalcanti Jucá, José Dinarte de Medeiros, Manoel de Oliveira C. Neto, Norberto Faria, e Salésia Dantas.
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31.10.08

O Alecrim

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"Um dos marcos da ocupação das terras que originaram o bairro do Alecrim foi a inauguração do Cemitério Público, em 1856, pelo Presidente da Província, Antônio Bernardo de Passos. Raríssimas pessoas habitavam o descampado constituído por roçados e algumas casinhas de taipa. Em 1882, o Presidente Francisco de Gouveia Cunha Barreto colocou a primeira pedra do Lazareto da Piedade, mais tarde Hospício dos Alienados.
Nessa época, o Alecrim era uma capoeira por onde passava a estrada velha dos Guarapes, que dava acesso ao sertão.
A Praça Pedro II teve o privilégio das primeiras filas de casas. Conta-se que ali morava uma velha que costumava enfeitar com ramos de alecrim os caixões dos "anjinhos" enterrados no cemitério, daí a origem do topônimo. Outra versão fala da abundância de alecrim-do-campo nesta área.
Mas, a criação deste, considerado o quarto bairro de Natal, deu-se somente em 23 de outubro de 1911. O perfil do bairro começou a ser delineado a partir da administração do Prefeito Omar O’Grady, que, em 1929, convidou o arquiteto italiano Giacomo Palumbo, para traçar o Plano de Sistematização para expansão urbana da cidade. Conta-se que Palumbo, sob a influência da cultura americana, desenhou um traçado com avenidas e ruas largas, as quais registravam com números. Da Avenida 1 até a Avenida 12, houve a associação da numeração com o nome de personagens históricos, intercalados com nomes de tribos indígenas.
Em 1941, durante a II Guerra Mundial, com a instalação da Base Naval, o bairro teve acelerado o seu processo de urbanização, quando se registra um aumento da população com a vinda de pessoas do sertão, e de outras regiões, para negócios na capital.
A vida cultural do Alecrim registra a existência de cinemas, até a década de 80, que, gradativamente, foram fechados: o São Luiz, o São Pedro, o São Sebastião, o Paroquial e o Olde. Nos carnavais, a cidade se voltava para ver os desfiles dos corsos (carros alegóricos dos carnavais do passado) que se realizavam nas ruas Sílvio Pélico, Amaro Barreto e adjacências.
O bairro teve, em sua história, como um dos principais pontos de encontro o bar Quitandinha na Praça Gentil Ferreira, local de “bate papo”, onde boêmios varavam as madrugadas, desde a época da II Guerra Mundial. O bairro ainda tem como marca registrada o comércio de produtos populares, com sapatarias, lojas de tecidos, produtos agrícolas e as barbearias, que resistem ao tempo. Há bares e esquinas com jogo do bicho, uma tradição do lugar.
Na década de 80, a construção do camelódromo (tentativa de resolver o problema gerado pelo conflito entre ambulantes e comerciantes estabelecidos) marcou a vida do lugar, erguido na Avenida Presidente Bandeira. Além disso, o Alecrim se notabiliza por sua feira, uma das mais tradicionais da cidade.
O Alecrim foi oficializado como bairro pela Lei N.º 251, de 30 de setembro de 1947, na administração do Prefeito Sylvio Piza Pedroza".
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29.10.08

De 631 a 645 - Não poderemos esquecer...

Foto: Av. Deodoro e Vila Palatinik
645.- Das ''capotagens'' em frente ao Hospital Miguel Couto (hoje Onofre Lopes), na Av. Nilo Peçanha com a Av. Getúlio Vargas,
644.- Dos contadores de estórias Pedro Bala e Galêgo Assis,
643.- Do Campo do Tira Gosto, do lado do Hotel dos Reis Magos,
642.- Do Bar Sabor e Arte, na Av. Hermes da Fonsêca,
641.- Do Frango de Ouro e do Frango da Passagem na Av. Prudente de Moraes,
640.- Das "batalhas" das bandas marciais entre Atheneu e Escola Industrial, na semana da Pátria,
639.- Do Café Bar Maia, na Praça Gentil Ferreira,
638.- Da feijoada de Julinho Nelson, no Iate Club,
637.- Da Galeteria do Neto, na Av. Alexandrino de Alencar,
636.- Do Amor a Torta, casa de brinquedos eletrônicos e lanches, na Avenida Hermes da Fonseca,
635.- Das Padarias São Miguel e São Paulo, no Tirol,
634.- Da Loja de Tecidos Mota,
633.- Do Frutos do Mar, na esquina da Av. Rodrigues Alves com a Rua Jundiaí,
632.- Do cursinho de Canuto,
631.- Da loja LM, na esquina da Rua João Pessoa com a Rua Princesa Isabel,
Colaboradores diversos.
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26.10.08

De um natalense na Califórnia

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Prezados amigos, se que assim posso dizer!!

Gostaria se fosse possível de ser contatado por antigos amigos de quando vivia no Brasil, na nossa querida Natal, onde nasci e vivi até os 19 anos.
Moro nos Estados Unidos há 39 anos (Califórnia) estudei no Ginásio 7 de Setembro quando o Prof. Fagundes era diretor, de dona Maroquinha sua esposa, de "seu" Geraldo o fiscal, de "seu" Pedro que tocava a campanhinha e dava manutenção no colégio.
Colegas daquela época: Petronilo que serviu comigo no 3º Batalhão de Engenharia em nova descoberta, "Chico Boemia" não me lembro o nome dele, um outro que eu sei que é Juiz em Natal, primeiro nome Dubel. Lembro-me da Profª. Teresa, do Prof. Tarcisio Medeiros de história, que quando alguém dava um peido, ele saía e acabava a aula, sempre de terno, dirigia um Prefect Verde, do Prof. Williams chamava todo aluno de "Bacurau", do Prof. Melquíades de inglês e me lembro do Breno, que era o aluno mais aplicado e do Paulo, já não me lembro do nome de todos! Lembro-me de Emanuel, éramos muito amigos e o pai dele era coronel do exército e tinha um carro Ford, deu-me muitas coronas.
Depois fui para o Atheneu, lá tive grandes amigos, um quem ainda lembro-me era o Adel, fiquei sabendo que é juiz em Natal, o outro era Gileno Guanabara, o Prof. de inglês era Protásio de Melo, lembro-me do Prof. Vicente de Almeida de geografia. O meu primo e Prof. de inglês Diógenes de Medeiros, que foi Secretário de Educação Municipal. Fiquei em Natal até março de 1963, fui para São Paulo, em 1973 vim para os Estados Unidos, onde resido até hoje.
Quem sabe se eu encontraria os meus amigos do 7 de setembro, Atheneu e do 3º. Batalhão de Engenharia, onde eu servi em 1962, saí com a alta patente de Cabo (ponha respeito nisso).
No blog "NataldeOntem" os detalhes são 'ultra' precisos, como o que cita, parece estar vendo a cena, dos vendedores de cuscuz. Na época eu morava na Rua Princesa Isabel, numa casa que ficava em frente de Zé da Luz, que tinha uma empresa de ônibus e um posto de gasolina. Também morei na casa do tio de um componente do trio Maraya, na época eu tinha 7 anos, quando fui levado a ver Papai Noel na loja 4.400 no Grande Ponto. Lembro, não sei se alguém se lembra, mas tinha um senhor que trazia umas vacas todos os dias, e tirava leite nas esquinas da Rua Princesa Isabel, com a Rua Apodi, quando a Rua Apodi até a Av. Rio Branco era de terra, aliás, de areia.
Fiquei impressionado com as máquinas pavimentando com asfalto em frente a Prefeitura – uma novidade em Natal, ninguém acreditava, o asfalto era jogado em cima do paralelepípedos. Lembro do Cine São Pedro, onde a molecada mijava sentado para não perder o filme, era um cheiro de mijo tremendo, e quando era cortado o filme o menor palavrão era de LADRÃÃÃÃÃOOOOOOO.
Lembro dos seriados do Rex, nas manhãs dos domingos. Quando passou o filme da Copa do Mundo, o gerente do Cine Rex esvaziava com dificuldade a sala de projeções quando terminava uma sessão, porque ninguém queria sair. Lembro do rigor do comissário do Cine Nordeste, como os menores de 18 anos, só com Certidão de Alistamento.
São muitas coisas que agora estou resgatando, com emoção, de Natal. Se for possível, gostaria que vocês postassem meu nome e algumas informações.
Até breve.
Um abraço para todos,
José Dinarte de Medeiros.
(Para contato com Dinarte envie uma mensagem para nataldeontem@gmail.com )
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24.10.08

De 616 a 630 - Não poderemos esquecer...

Foto: Palácio Potengi e Praça 7 de Setembro


630.- Dos filmes no Drive-in da Rampa,
629.- Da Boite "A Vela" do Iate Clube,
628.- Da velha Tamarineira, na esquina da Rua Camboim (Rua Fontes Galvão) c/ a Rua Apodi,
627.- Dos shows do Holiday On Ice e de José Vasconcelos no Palácio dos Esportes,
626.- Do Clube do Industrial no Edifício São Miguel na Av. Rio Branco,
625.- Da garçonete Borboleta do Feijão Verde da 15,
624.- Do programa Alegria na Taba comandada pelo Cacique Gernar Wanderley na Radio Poti,
623.- Da Praça de Carros Hilmann, na Rua Princesa Isabel, cujo número do telefone era 1300,
622.- Das coleções de carteiras de cigarro: Continental, Astoria, Hollywood, Marlboro, Camel, Cherstefield,...
621.- Da mulherada ''ouriçada'' com a tripulação do navio do Projeto Hope,
620.- De Picholeta do Bar Pitombeira de Picholeta, perto da Escola Doméstica,
619.- Das distintas "piniqueiras" dizendo: "...Ai da Base, me leva...!" Quando o papa-fila da Base Aérea passava.
618.- Das serenatas com Carlinhos Vagner, Mirabô, Expedito, Ivan Trindade,...
617.- Da casa interrompendo a Rua Hildelbrando de Goes, próxima ao Porto de Natal,
616.- Dos veranistas pioneiros da Praia da Redinha: Aguinaldo Vasconcelos, Dante de Melo Lima, David Cunha, Enéas Reis, Francisco Barbalho (Chiquinho), Francisco Pignataro, Gilberto Freire, Ivo Cavalcanti, João Bezerra, José Aguinaldo de Barros, José Carlos Leite, José Cavalcanti de Melo, José Lisboa, Leonel Freire, Leon Wolfzon, Luiz Cabral, Odilon Garcia, Oscar Raposo, Pedro Silva, Sandoval Capistrano, Teixeirinha, Vicente Lemos ...,
Enviadas por Antônio Ferreira de Melo/Jardna Jucá/José Carlos Leite Filho/Manoel Julião Neto/...

22.10.08

A Ribeira

Foto: Panorâmica do Rio Potengi com navios ancorados.


Natal cresceu muito lentamente, vindo a se desenvolver a partir de 1922, sendo os seus primeiros bairros Ribeira e Cidade Alta.
Encontramos vários e importantes patrimônios que estão localizados no bairro da Ribeira, onde alguns foram tombados e outros deteriorados esperando uma iniciativa do governo para sua restauração e preservação.
Patrimônio material tem em vista também os móveis, objetos classificados como bens de relevância para a cultura de um povo, de uma região ou mesmo da humanidade, entre os Patrimônios visitados e propagados, notamos que esses guardam um espetáculo da nossa história passada.
O bairro vem se desenvolvendo ao longo do tempo, mas não descartando que há muito a melhorar, com relação a análise bioclimática do bairro da Ribeira. Foi desenvolvido em primeiro momento através da caracterização da área.
Na ribeira, destaca-se o fato de que, de forma maciça, a ocupação somente ocorreu no século XX, e em especial com as obras de reforma do porto da cidade, inserida no bairro (1905). Esta obra, além de impulsionar o comércio local - por representar relação direta com os mercados estrangeiros – estimulou o povoamento da Ribeira, por abranger toda cidade do Natal com os reflexos da modernidade. Podemos aflorar neste texto, alguns dos Patrimônios da nossa velha e nova Ribeira.
Destacamos o atual Teatro Alberto Maranhão, inicialmente Teatro Carlos Gomes, que teve a sua construção iniciada me 1818 e concluída em 1904. Sua arquitetura neoclássica encontra-se totalmente restaurada. Localizado na Praça Augusto Severo no bairro da Ribeira.
A Rua Chile, outrora, Rua da Alfândega, era uma das principais ruas do bairro da Ribeira, no início do século XIX.
A partir de 1850, são construídos prédios de pedra e cal, na sua maioria armazém destinados ao recebimento de algodão, açúcar, tatajuba e peixe seco, entre outros produtos.
Nesse bairro concentra casas e prédios, que possui valor histórico e característica arquitetônica, constituem, atualmente, a zona da preservação histórica. Nela encontra-se o prédio onde funcionou o Palácio do Governo- 1869 e 1902, e que hospedou o conde D’ Eau, Consorte da princesa Isabel, construído em estilo neoclássico, era o sobrado mais alto da época, em edificação e em três pavimentos.
Ali, também, encontra-se a casa que Câmara Cascudo morou e a que pertenceu ao poeta Ferreira Itajubá. Atualmente abriga várias atrações ligadas à cultura, como: musica e teatro.
O Solar Bela Vista, construído com uma concepção arquitetônica do início do século XX, atualmente funciona como Centro da Cultura e lazer do Sesi/Senai. Conta com exposição permanente e também é palco para diversas manifestações artísticas.
A Capitania das Artes, antiga Capitania dos Portos, o prédio foi construído no século passado e atualmente funciona como centro cultural. O projeto da capitania foi totalmente concretizado no ano de 1992. Nesse local são realizadas grandes exposições de pintura, esculturas dos artistas norte-riograndenses.
A Ribeira guarda edificações antigas, que resiste às transformações do homem. Há novas construções que tentam revitalizar e resgatar pedaços importantes da cultura natalense.
(Por Eliene Rodrigues Costa, Maria Juvaneide da Silva e Simone de França Galdino).

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20.10.08

De 601 a 615 - Não poderemos esquecer...

Foto: Rua Ulisses Caldas esquina com a Rua Luiz da Câmara Cascudo, ex Junqueira Ayres e ex Rua da Cruz..
615.- De J. Rezende & Cia, loja de eletrodomésticos na Rua Dr. Barata, de Zé Rezende,
614.- Das máquinas de costura Leonam, fabricadas por Manoel Ambrósio e Cia.,
613.- Das matinês de domingo no Aéro Club, com o Impacto 5,
612.- Das alunas da Escola Doméstica perfiladas em frente ao Colégio, no domingo à tarde, e com muita paquera,
611.- De Tereza do Beco da Quarentena, na Ribeira, sempre ébria,
610.- Do Café Nice e seus boêmios, no Alecrim,
609.- Da professora que ensinava Carioca, na Rua do Areal, próxima ao Cine Panorama,
608.- Da Casa Londres na Av. Rio Branco,
607.- Da culinária regional do Restaurante Raízes, em Petrópolis,
606.- Da Buchada da Anália, na Av. 12,
605.- Da Camisaria Brasil, em frente ao Cine Nordeste, na Rua João Pessoa,
604.- Da Festa da Mocidade com seus Parques de Diversões, na Praça Pio X, hoje a nova Catedral,
603.- Da Loja Valparaíso, na Rua Dr. Barata,
602.- Do Cabeça do Bode, na descida para a Ribeira, Rua Cordeiro de Farias,
601.- Das festas na Boate da Rampa, na Praia da Limpa,
Enviadas por Carlos Pachêco/Flamínio Oliveira/Francisco Freire/Francisco Gomes/Gutemberg Costa/Isaías Filho/João Maria Alves de Castro/José Dantas/ Lucala/...
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18.10.08

Queda do Avião... (Texto)


Era década de 60, não lembro a data. Estava eu na minha casa, na Rua Oeste, passando a última mãozada de brilhantina Glostora nos cabelos porque iria para Ribeira assistir Aluizio Alves pagar ao Banco do Estado 19 milhões.
De repente escutei um roncado estranho passando por cima das casas, sai para olhar, ainda avistei a cauda de um avião, e uma listra de fumaça preta acompanhando, sai correndo, passei pela Av. Getúlio Vargas e Rua Pinto Martins, passei em frente a Igreja São Francisco, em Areia Preta, chegando a Pracinha da Jangada, ainda vi a ponta da asa do avião afundando.
A essa altura os filhos de Caindão e Dona Nenêm, que tinham uma Peixada em frente ao Posto de Salva Vidas da Praia de Areia Preta, já estavam nadando em direção do avião, Walmir, Ivan e Galego.
O avião já tinha afundado, Walmir mergulhou e conseguiu salvar o Sargento, o Piloto e o Co-piloto desapareceram. A beira da praia virou um formigueiro. Ali mesmo peguei a marinete de Alaô que fazia a linha Areia Preta, Cidade Alta via Radio Poti. Saltei na esquina em frente ao prédio do Saneamento, vizinho à Radio Poti e desci a ladeira.
De longe era um mar de galhos verdes e bandeiras verdes, no cruzamento da Rua Tavares de Lira com a Avenida Duque de Caxias, estava repleto de adeptos do cigano feiticeiro. Fiquei em frente à Socic que vendia geladeiras novas e de segunda mão.
Só se via entrar sacolas verdes recheadas de dinheiro dado pela gentinha para pagar a dividida de 19 milhões do Sr Aluizio Alves, e a gentinha ainda gritava: ''Pagou e não roubou, ainda sobrou para enterrar o velho fechador''. Todas as ruas estavam engarrafadas de carros vindo do interior do estado, e a balaustrada do Grande Hotel repleta, inclusive o Majó Theodorico Bezerra.
Passados três dias, eu e alguns amigos fomos pescar nas locas de pedra na Praia de Areia Preta, quando de repente um dos colegas, o Bira, saiu correndo com os olhos arregalados, tinha encontrado o corpo do co-piloto em uma fenda dos lajedos. Fomos avisar na Delegacia da Praia do Meio, que rapidamente chamou a Aeronáutica que levou o corpo numa bolsa de borracha preta cheia de um pó branco. O piloto foi encontrado na Praia do Forte.
Walmir que vendia o Diário de Natal, ganhou uma medalha por bravura em Parnamirim e uma bicicleta, e foi manchete de primeira página do Diário de Natal.
Isso aconteceu naquela década, eu acredito que ainda tenha o registro no Diário de Natal.
(Manoel Julião Neto)
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17.10.08

De 586 a 600 - Não poderemos esquecer...

Foto: Casa de Detenção de Natal, prédio construído no final do século XIX, com longa história: foi abrigo para mendigos, orfanato e prisão. Desde 1976, abriga o Centro de Turismo de Natal.

600.- Da Camisaria União, de ''seu'' Eustáquio,
599.- Da Escola de Artífices, depois Escola Industrial na Av. Rio Branco,
598.- Do Panelão, na Praia do Meio,
597.- De Santos & Cia, revendedor Ford, na Ribeira,
596.- Do Restaurante Estoril, no Beco da Lama,
595.- Do Bar Chapéu de Couro, na Av. 10, de Severino Galvão,
594.- Do Cafés Vencedor, Dois Irmãos e Maia, no Alecrim,
593.- Dos Campari's no Peteca Bar, na Av. Deodoro,
592.- Da Loja Rizo de Ozir, na Rua Princesa Isabel, Rizo é Ozir ao contrário,
591.- Do camarão do Crustáceo, na Rua Apodí,
590.- Do Hotel Caicó, na Rua Princesa Isabel, o hotel dos seridoenses,
589.- Do Viver, na Av. Prudente de Moraes, com a cerveja sempre gelada,
588.- Da Loja de Ferragens Gurgel Amaral, na Rua Chile,
587.- Do Tyrone Bar, na Rua Floriano Peixoto,
586.- Do Motel Corujão, em Capim Macio,
Enviadas por Flamínio Oliveira/Gutemberg Costa/Isaias Filho/João Maria Alves de Castro/José Dantas/...
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15.10.08

De Pé No Chão Também Se Aprende A Ler (Texto)


Esse era o lema de um conjunto de palhoças que no tempo em que Djalma Maranhão era Prefeito de Natal. Sem ter meios para construir escolas formais, Djalma aproveitou algo que estava sobrando nos bairros periféricos da cidade: a palha de coqueiro. E assim promoveu a construção de barracos, feitos com paus e cobertos com palha para dar ás crianças pobres um pouco de saber. Isso foi no ano de 1961, quando ele assumiu a Prefeitura, algo que revolucionou completamente a cidade.
Pela primeira vez, um prefeito agia de tal forma em qualquer parte do Brasil e do exterior, também. Seu gasto era pouco, pois a palha do coqueiro era abundante em toda a capital. As palhoças foram armadas em diferentes bairros da capital, onde havia crianças mais pobres, como, por exemplo, nas Rocas e no Carrasco. Os professores podiam ser de bairros próximos dos locais onde estavam as barracas. Um lema foi a principal motivação para essa arrancada: "De pé no chão também se aprende a ler". Isso encerra que a educação não chega à criança por meio de uma escola nobre e bela. A educação chega ao aluno pela forma mais simples que se tem a mostrar: o ouvido. Um exemplo que ninguém ainda pensara. "O OUVIDO". O professor transmite o fator educação para a criança que capta aquela esfera no seu ouvido e, daí, para o cérebro. Do cérebro para o seu comportamento de vida. A criança não precisa de sapatos, porque, mesmo sem sapatos, chinelos ou mesmo alpargatas ela está ali para aprender e saber ler algo que o professor lhe ensina. Nas Rocas, um bairro pobre naquela época, tais mocambos chegaram como uma graça. Uma graça divina. Os alunos moravam na rua da Cerca (Praia da Montagem), uma rua separada por uma cerca dos tanques de combustíveis das empresas americanas, e de outros locais, como Rua das Dunas, Rua Jordanês, e outras existentes naquele bairro. O pagamento das professoras, isso não era o ponto nefrálgico da questão, pois muitas mestras se candidataram a ensinar de graça, sem nem um tostão para o seu pagamento. Era algo encantador o ritmo que o sistema de educação tomava conta da capital. Nas Rocas, era certo, já havia escola construída com dinheiro do Estado, como o Grupo Escolar Isabel Gondim.
Mesmo assim, era apenas um. E nada mais. As palhoças vieram como uma salvação. Em fim, pegaria uma boa parte dos meninos e meninas que ainda não tinham matriculas em outra escola.As cabanas deram origem ao surgimento do bairro Brasília Teimosa, onde houve muita briga com a fiscalização, derrubando as taperas e de novo, elas voltavam a ser construídas. As barracas de ensino terminaram por ser transformadas em escolas regulares, com a construção de suas paredes. A escola De Pé no Chão, essas foram interditadas quando o prefeito Djalma Maranhão foi caçado pela Ditadura e teve que sair da cidade, indo morar, viver e também morrer longe da sua terra, deixando aqui a saudade dos que com ele conheceram as dificuldades de uma pobre e pequena metrópole. Mesmo assim, ainda hoje, não se esquece aquela escola sem paredes que os professores, vívidos e alegres, queriam apenas ensinar aos seus queridos alunos, mesmo que fossem apenas de pé no chão, pois todos queriam saber ler e escrever. Belos dias aqueles que as crianças podiam viver brincar e saber.
(Enviada por Alderico Leandro Álvares - http://leandroalvares.blogspot.com/)
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