6.12.09

Cadê Teresa?

Teresa de Azevedo Dantas (nome de solteira) nasceu em 15 de outubro de 1923. Fez o curso de Guarda-Livros (hoje Contabilidade), no Colégio Nossa Senhora das Neves. Uma inovação tratando-se de uma mulher, praquela época. Falava inglês, francês, freqüentava as melhores festas, esbanjava beleza e charme e foi aluna da Escola Doméstica de Natal, onde aprendeu a preparar banquetes... Na escola era chamada por Teresão e em casa, carinhosamente, por Teca e pelos demais Teca de Zé Paulino.
Aos 27 anos, Teresa foi rendida pelo charme e os olhos azuis de um agricultor simples, sem pedigree, Luiz Pereira de Araújo. E os dois planejaram voar pra longe, em busca de um paraíso onde pudessem viver um amor eterno. No primeiro passo Teresa definiu a vida dela e de quem mais chegasse. Uma fotografia com a seguinte dedicatória foi o pivô de tudo: "Luiz, você concretiza o meu ideal na vida. Meu amor por você será eterno. E o resto você compreenderá no silêncio eloqüente desta fotografia e na expressão sincera do meu olhar."
Num navio, Teresa e Luiz partiram às escondidas da cidade de Natal, rumo ao porto de Santos, com um enxoval completo, todo bordado à mão, feito com carinho, pra guardar por toda a vida. Em Santos, o cunhado (irmão de Luiz) aguardava os pombinhos. Já tinha reservado igreja, contratado padre, alugado vestido, sapato, dama de honra, fotógrafo (uma foto vale mais do que mil palavras). Tudo que um casamento de verdade merece. Até o cartório estava de plantão. Enquanto isso, Teresa e Luiz foram morar num acampamento, em plena mata virgem, no Paraná – maior exportador de café do mundo. Um estado que precisava abrir estradas pra escoar sua riqueza e por isso eles foram pra lá. Essa simbiose de amor começou a dar galhos. Desses galhos nasceram frutos e não pára mais de dar flores.
Mas, cadê Teresa? Teresa está em Jaraguá (GO), guardada por dois de seus filhos, que não arredam o pé de perto dela. Feito uma rainha, só sendo paparicada, dando ordens pra todo mundo. O diploma de Guarda-Livros está na parede, assim como fotografias que registram os momentos bons. A máquina de datilografia manual está guardada debaixo de sete chaves assim como alguns de seus cadernos de receitas.


Clique na imagem para ver a receita do Curso de Cozinha Artística de Arte Culinária da Escola Doméstica de Natal ministrado por D. Noilde Ramalho em 1944. Se não conseguir ler na tela envie uma mensagem para: nataldeontem@gmail.com
Texto e fotos enviados por Iracema Dantas de Araújo, filha de D. Teresa

5 comentários:

Lívio Oliveira disse...

Gostei de saber sobre essa personalidade especial.
Abraço.

Sérgio disse...

Parabéns pela receita. Vou faze-la nesse Natal. Tenho certeza que ficará uma delícia. Tem outras?

Adailton Pedro disse...

Uma nova vertente no Natal de Ontem. Espero que enviem sugestões sobre pessoas que viveram em Natal no passado. Aproveitarei a receita - uma preciosade de 65 anos!

Anônimo disse...

Não consegui ler a receita. Poderia mandar-me cópia? Como este vai ser o meu primeiro natal em Natal depois de uma ausencia de tres anos, morando em Mossoró, estou planejando uma comemoração natalina para a qual chamarei alguns amigos para saborear bolos e biscoitos natalinos ligados à minha infancia e alguns outros que me foram enviados por amigos que curtem essas delicias de fim de ano, como o Bolo de Reis, na verdade um pão que a minha avó fazia nos nossos natais...

Sander disse...

A história da Tereza é muito gostosa de ler... sem falar que o bolo deve ser muitobom... fez-me lembrar das receitas da minha vó que ainda são todas escritas a mão como essa. Muito bom!!