14.2.10

O Encantador dos Potiguares


Os transeuntes das calçadas do centro de Natal irão perceber - ou não - dentro de algum tempo, a ausência da figura de um homem simplório e de um olhar dispersivo, empunhando um instrumento musical denominado de rabeca - confundido muitas vezes com um violino - não fazendo mais parte do cenário urbanístico do bairro conhecido como Cidade Alta. Irão procurar ouvir o som dos acordes de uma “rabeca” tocado por um artista popular, por um artista do povo, por uma figura, agora, folclórica e irão se deparar somente com uma lembrança. A lembrança de um rabequeiro solitário e que vivia em busca de alguns trocados como reconhecimento ao seu talento e à sua subsistência. Quantos iniciantes da arte da fotografia - em aulas de campo - não o enquadraram na “regra dos terços” em seus primeiros ensaios? Lembro, sim, de o ter incluído em meus primeiros clic's. Lembro de nunca ter perguntado se o poderia fotografar - algo que nunca o chegou a importunar. Lembro, também, de nunca ter parado para perguntar o seu nome. "ANDRÉ" - esse era o seu nome - "ANDRÉ”. Descubro o seu nome em uma nota de falecimento em um blog de um amigo repórter-fotográfico. Só descubro porque há, entre tantos já capturados por inúmeros caçadores de imagens, um registro fotográfico. Um registro de um rabequeiro - sempre solitário. Obrigado ao André por ter feito parte do nosso cotidiano, da nossa história. Desculpe-me, André. Desculpe-me por nunca ter perguntado o seu nome…somente agora o sei. Que o seu instrumento de trabalho - A Rabeca - seja resguardada pelo poder público municipal e tenha um endereço certo em um de nossos museus populares. Como sempre…a real valorização do artista chega tardiamente. O som da RABECA do Encantador de Potiguares silenciou...para sempre.

Ah, André, o meu nome: José. Prazer ter te conhecido!


Enviado por JOrge Lira

Um comentário:

José Carlos disse...

Agradeço ao Jorge Lira por ter reportado texto de minha autoria: "O Encantador de Potiguares" no blog "Natal de Ontem". O referido texto foi a maneira mais simplória que encontrei para prestar uma justa homenagem póstuma a uma das mais conhecidas figura folclórica de nossa cidade.Lamento que não foi mencionado o devido crédito ao meu texto. Saliento que a fotografia que ilustra o texto, também, é de minha autoria, conforme o crédito aponta na imagem. Queira conferir na Publicação do Guia Cultural Solto na Cidade nº 35 e no meu Blog: http://projocarsi-jocarsi.blogspot.com/