18.7.09

A Cidade Menina

Rua Tavares de Lira, ao fundo Praça José da Penha

A Cidade Menina (*)

Pequena, sem diversões, sem vida noturna, era a cidade do Natal no passado.

Era uma menina que não queria ficar moça. Por quê?
Seu povo, porém, sempre foi simples e bom e dentro das suas possibilidades continuava vivendo. Havia educação e havia instrução.A cidade sempre encantou a todos quando a viam desde a primeira vez. Conhecimentos, amizades, namoros... Em poucos minutos podia-se conhecer Natal, mas sempre foram precisos anos para compreendê-la. Muitas pessoas chegaram de outras plagas e hoje vivem em Natal por algum motivo. A maioria, no principio eram militares que a guerra foi buscar nos mais diversos recantos do Brasil e do mundo.
Boas avenidas, boas praias, comércio, ensolarada e uma brisa que nos dá uma sensação térmica inusitada e as mulheres lindas.
Em duas palavras: conforto e qualidade de vida.

Para quem aqui veio de outros lugares, apesar dos pesares, encontrou o que é bom e agradável, o que faz bem ao corpo e ao espírito. Pois bem. Em Natal, encontraram uma cidade diferente, mas em momentos de desânimo, de tédio, nunca deixaram de explodir alguma exclamação menos lisonjeira para a cidade que o acolheu tão bem.
Muitos ainda reclamam de certas coisas embora não saibam justificar porque aqui continuam e porque não retornam para seu rincão. É lógico que, aqui sempre tiveram a oportunidade de gozar das delícias de uma vida com grande grau de tranqüilidade e sentem à vezes certa revolta porque vivem do saudosismo do ambiente, do lar e dos consangüíneos, embora aqui tenham constituído família.
É necessário os pontos nos ii...
Em Natal, gostariam de encontrar uma cidade igual às grandes metrópoles, mas se sabe que o Brasil é um "caso" puramente geográfico. Temos grandes cidades - bem adiantadas, mas o que vemos é verdadeiramente digno de atenção por parte dos que trabalham pelo desenvolvimento moral e material do nosso Brasil.
Sob a influência, inicialmente da II Guerra Mundial, e de outros fatores como a seca , a emigração, o turismo, etc., a sua população aumentou consideravelmente. Considerando esse aumento populacional a vida passou a ser enfrentada sob outro aspecto, carestia, falta de se segurança e de saneamento básico, entre tantas outras coisas.
A benevolência, a boa vontade e paciência do natalense para com os que aqui chegaram e que muitas vezes não perdem a oportunidade de menosprezar a cidade que o acolheu de braços abertos e que culpa nenhuma tem das transformações sociais e ideológicas que se passam no mundo. São principalmente aqueles para quem uma separação é verdadeira tortura, pois não sabem por quanto tempo e, o mais doloroso, se voltarão às origens.
Porque, longe dos que são caros, longe de todo o conforto (sic) de outrora, enfrentando obstáculos, sem ter a ocasião de encontrar bons divertimentos, bons lugares para recrear o espírito, talvez seja a justificativa para que saia uma com uma expressão áspera, em sinal de protesto - o grito d'alma de quem não está satisfeito com a vida que levam, ou mesmo, ingratidão.
Mas os natalenses amigos e acolhedores perdoam os que ofendem a sua cidade, porque ela não perde sua simpática e encantadora característica.
Natal realmente hoje está muito diferente. Transformou-se, como tudo, segundo Lavoisier, e surgiram novidades de todas as formas, mas sempre continuará com seu clima saudável e de noites bonitas.

Não se pode esquecer a Natal do Grande-Ponto, da Cidade Alta e da Ribeira. Natal d'A Rádio Educadora, d'A República, d'O Diário e d'A Ordem. A Natal do Alecrim, de Petrópolis e do Tirol. Das Ruas pequenas e bem limpas, onde se nota ainda a falta de arborização. Natal dos Cinemas Rex, Rio Grande e São Luiz e do Teatro Carlos Gomes.
Natal das garotas simples, simpáticas e bonitas. Da mocidade do Ateneu, do Colégio das Neves, da Escola Doméstica, do Ginásio 7 de Setembro, do Colégio Santo Antônio. Natal dos esportistas do ABC, do Alecrim, do Santa Cruz, do América e do Atlético e de tantos outros.
Em Natal se pode encontrar ainda um tempo que não acabou como cidade inteligente e culta, onde se podia encontrar Luís da Câmara Cascudo, Elói de Sousa, Esmeraldo Siqueira, Lourenço Branco, Américo de Oliveira, Floriano Cavalcanti, Rui Paiva, Alvamar Furtado, Antonio Fagundes, Djalma Maranhão, Prof. Saturnino, entre tantos outros da velha guarda.

Natal sempre será a cidade do estuário do querido do rio Potengi - o rio que é um verdadeiro poema ao som de Royal Cinema ao entardecer e onde sempre se recebeu verdadeiras lições de experiência da vida e de brasilidade. A cidade das boas amizades e das confrarias sem pedantismo.
Será Natal - sempre e sempre - nosso berço e nossa alma... com nosso orgulho de ser NATALENSE!

(*Com modificações ao texto original de Augusto Fernandes)

Um comentário:

JOAQUIMTUR disse...

Recordar é viver!!! e graças a Deus que temos NATALDEONTEM, para isso!!! Parabéns!!!