6.4.10

Rua Dr. Barata


A Rua Dr. Barata guarda muito da história da Ribeira. Seu nome é uma homenagem ao Dr. Cipriano José Barata de Almeida, cirurgião baiano, formado pela Universidade de Coimbra, que trabalhou em Natal nos anos de l837 e l838. O Dr. Barata era militante político, orador brilhante e veio para Natal a convite de amigos. Lecionou francês no Atheneu e exerceu a clínica médica na Cidade Alta e na Ribeira, nua rua que leva o seu nome e onde morreu a primeiro de junho de 1838, dando um VIVA à pátria. Foi sepultado na soleira da igreja do Bom Jesus das Dores. Nas décadas de 30 até 50, esta rua tinha grande atividade comercial. Destacava-se pelo comércio de produtos de melhor padrão e recebia pessoas de todas as partes da cidade. Nessa época, lembra D. Lair Tinoco que “Para ir à rua Dr. Barata, mesmo residindo na Ribeira, era de bom tom usar chapéu e luvas. Nas tardes de Sábado, o comércio abria e, então, na rua Br. Barata era um verdadeiro desfile de elegância”.

A localização de algumas das principais lojas da rua foi levantada pelo Sr. Júlio César Andrade, que identificou uma gama variada de exemplos: na intercessão da Dr. Barata com a Quintino Bocaiúva funcionou o comércio de modas de Natal; no comércio de ferragens destacava-se a empresa Galvão & Cia., da família de Clemente Galvão. No número l65, havia o Café Globo, de Luiz de Barros; no l67, a livraria e papelaria do Sr. João Argílio, uma das principais da cidade e a mais procurada. Esta foi transferida para Ismael Pereira, que depois passou a seu filho Walter Pereira, que a instalou na Avenida Rio Branco e manteve a loja da Ribeira como filial. A Alfaiataria Brasil, no número l69, era considerada a mais “chic” e requintada de Natal, especializada em fardamento militar, mas que também atendia civis, vestindo as principais figuras da vida natalense; a firma José Farache & Filhos funcionou no 233. Era uma grande loja de calçados e chapéus. Lá também esteve em atividade o Sr. Carlos Lamas, vendendo artigos esportivos, instrumentos musicais e representações e, por fim, a Mercantil Valparaíso, de Salvador Lamas.

Outros empreendimentos tiveram lugar na Rua Dr. Barata. A Caixa Rural e Operária de Natal, administrada pelo Sr. Ulisses de Gois, que emprestava recursos para construção da casa própria; o Sindicato das Empresas de Passageiros de Natal, que posteriormente se transferiu para o Alecrim; o Centro de Imprensa e o Jornal A Ordem; a Casa LUX, no número 200, vendia material elétrico, a Casa Gondim, o Armazém Ganha Pouco, a agência do Loyd Brasileiro, a Livraria Henrique Santana e muitas outras casas comercias ao longo do tempo.

Durante a II Guerra Mundial, na década de 40, ocorreu a fase áurea da atividade comercial da rua Dr. Barata. Na memória de Dinarte Bezerra de Andrade, ex-proprietário da Gráfica Santo Antônio, a Livraria Cosmopolita, instalada no número l84, onde também funcionou o Banco de Natal, que atraía figuras da elite local. Lá se reunia figuras da sociedade e políticos como o governador Rafael Fernandes, no final das tardes, quando crescia a movimentação de pessoas por aquela artéria do bairro da Ribeira.

Terminada a guerra, muitas casas comerciais fecharam, outras foram transferidas para a Cidade Alta ou para o Alecrim. Na Dr. Barata ficaram algumas poucas lojas, escritórios e firmas de representações.


Texto extraído de “Circuito Histórico, Turístico e Cultural de Natal” – Semurb 2003, pag. 67

2 comentários:

Nivaldete disse...

Gostei muito... Um abraço.

Iracema disse...

Neto, minha mãe foi contadora da firma do sr. Carlos Lamas. Levei esse texto e ela foi se lembrando, um a um, de todos os imóveis da rua dr. Barata. Um verdadeiro achado esse texto pra ela.