3.10.09

Praieira dos Meus Amores (*)


Para a maioria dos norte-rio-grandenses, Otoniel Menezes é e continuará sendo sobretudo o criador dos versos da canção "Praieira", de 1922, espécie de hino da cidade do Natal, (aliás, pelo decreto-lei nº 12, de 22 de novembro de 1971, o governo municipal de Natal considerou a "Praieira", o "Hino da Cidade"), com música de Eduardo Medeiros.
Originalmente intitulada "Serenata de Pescador", "Praieira", como ficou conhecida popularmente, foi escrita para saudar os pescadores natalenses que, em três barcos a vela, viajaram de Natal ao Rio de Janeiro, dentro das comemorações do Centenário da Independência, em 1922.
Otoniel Menezes, certa vez, revelou que uma das alegrias de sua vida era ouvir, nas madrugadas natalenses, gente do povo cantando sua "Praieira" em serenatas. (**)


SERENATA DO PESCADOR

Praieira dos meus amores,
Encanto do meu olhar!
Quero contar-te os rigores
Sofridos a pensar
Em ti sobre o alto mar...
Ai! Não sabes que saudade
Padece o nauta ao partir,
Sentindo na imensidade,
O seu batel fugir,
Incerto do porvir!

Os perigos da tormenta
Não se comparam querida!
Às dores que experimenta
A alma na dor perdida,
Nas ânsias da partida
Adeus à luz que desmaia,
Nos coqueirais ao sol-pôr...
E, bem pertinho da praia,
O albergue, o ninho, o amor
Do humilde pescador!

Quem vê, ao longe, passando
Uma vela, panda, ao vento,
Não sabe quanto lamento
Vai nela soluçando,
A pátria procurando!
Praieira, meu pensamento,
Linda flor, vem me escutar
A história do sofrimento
De um nauta, a recordar
Amores, sobre o mar!

Praieira, linda entre as flores
Deste jardim potiguar!
Não há mais fundos horrores,
Iguais a este do mar,
Passados a lembrar!
A mais cruel noite escura,
Nortadas e cerração
Não trazem tanta amargura
Como a recordação,
Que aperte o coração!

Se, às vezes, seguindo a frota,
Pairava uma gaivota,
Logo eu pensava bem triste:
O amor que lá deixei,
Quem sabe se inda existe?!
Ela, então, gritava triste:
Não chores! Não sei! Não sei...
E eu, sempre e sempre mais triste,
Rezava a murmurar:
“Meu deus quero voltar!”

Praieira do meu pecado,
Morena flor, não te escondas,
Quero, ao sussurro das ondas
Do Potengi amado,
Dormir sempre ao teu lado...
Depois de haver dominado
O mar profundo e bravio,
À margem verde do rio
Serei teu pescador,
Ó pérola do amor!

(*) Otoniel Menezes - (**) Fotolog/ninocha - Foto: Canto do Mangue por Roberto Satoli

3 comentários:

Lívio Oliveira disse...

O Natal de Ontem está cada vez melhor e mais criterioso quanto aos temas. Agora, percebo que o número de postagens está crescendo. A evolução deste blog certamente o transformará numa grande antologia de textos sobre a nossa cidade. E, possivelmente, dará um grande livro.
Parabéns, meu grande amigo e compadre Neto!

Jose Dinarte disse...

Neto! Eduardo de Medeiros, era tio de meu pai, conheci-o qaundo tinha meus 12 anos, ia sempre visitar meu pai, na oficina de ourivesaria que tinha na Ribeira, de cabelos brancos, oculos, muito simples; nos enche de orgulho, pois um membro de nossa familia, deixou um pouquinho da nossa familia na historia. Neto, continue com esse seu blog, pois em muito em breve, um livro se fara necessario. Do amigo Californiano.
Dinarte de Medeiros

Eduardo Medeiros disse...

Fiquei contente por ter encontrado essa postagem sobre a música Praieiras.

José Dinarte, que bela coincidência, pois creio que você é meu primo!!

Eu sou neto do maestro Eduardo Medeiros, filho de Valda Medeiros.

Se quiser entrar em contato comigo você pode me achar em:

eduardo42@ig.com.br

e meus blogs:

saladopensamento.blogspot.com
olharotempo.blogspot.com

Um grande abraço para Manoel e para o José Dinarte.